Aviário para 800 mil galinhas em Mação preocupa população
População de Mação está preocupada com a possibilidade da instalação de um grande aviário na Mantela, às portas da vila de Mação. José Martins, o novo presidente da câmara, foi surpreendido com a presença de uma dezena de pessoas na última reunião de câmara que foram pedir explicações. O facto da empresa já ter começado a preparar o terreno não augura nada de bom.
Uma dezena de moradores foi à última reunião de câmara de Mação para pedir ao executivo informações sobre a construção, que já se iniciou, de um aviário para cerca de 800 mil galinhas poedeiras. O projecto é da empresa Uniovo, com sede em Ferreira do Zêzere, fundada em 1987. Segundo informação recolhida no site da empresa, a produção de ovos é apenas uma das actividades do grupo Globalfer, que também se dedica à agricultura, produção de rações actividade imobiliária.
Os moradores colocaram várias questões ao executivo, nomeadamente o facto de já haver grandes movimentações no terreno, como o abate de árvores, a construção de caminhos, instalação de postes para energia eléctrica, abertura de furos, entre outros. Há ainda a informação que os técnicos da EDP também já estiveram no terreno a ligar a luz eléctrica. O facto de não haver qualquer informação pública sobre a implantação desta exploração aviária, está a deixar em pânico alguns moradores, que vivem mais perto do território onde poderá vir a ser implantada a exploração. As principais preocupações são com o impacto ambiental e o futuro da qualidade de vida de quem vive nas proximidades.
Todos os cidadãos que foram à reunião de câmara são pessoas que têm casa nas proximidades. A Mantela, local onde se situa o terreno de cerca de 40 hectares comprado pela empresa, fica nos limites da vila de Mação.
Cláudia Santos foi a voz do voz ao grupo de munícipes que deu conta do espírito que se vive na vila ao saberem e verem como avançam as obras de um projecto que não é do conhecimento público e pode mudar a vida de muita gente que escolheu o concelho de Mação para viver. Cláudia Santos quis saber se há projectos de construção de instalações, se é verdade que o que vai ser construído ali é mesmo um aviário para 800 mil galinhas poedeiras, como se diz na vila, e se a câmara municipal tem conhecimento e que razões impedem os autarcas de dar conhecimento público das obras e do impacto que podem ter na vida dos cidadãos. A munícipe mostrou ainda preocupação, caso o projecto se desenvolva, relativamente ao impacto ambiental, e à destruição do património do concelho em favor do sector económico e financeiro que jamais se deverá sobrepor aos interesses do concelho e dos seus moradores. Para Cláudia Santos, fazendo fá na informação que circula em Mação “a construção deste aviário irá destruir a identidade da região a nível ambiental e social”.
O presidente da câmara, José Martins (PS), assegurou aos munícipes que a empresa interessada em construir um aviário apenas adquiriu alguns terrenos no concelho e que ainda não foram realizados quais queres estudos de viabilidade. José Martins revelou ainda que não foi entregue na câmara municipal qualquer projecto e que, caso seja entregue entretanto, o executivo compromete-se a fazer um escrutínio minucioso quanto à sua viabilidade económica e ambiental. O presidente sublinhou ainda que apesar deste projecto poder contribuir para uma maior empregabilidade no concelho, há que ter em conta que existe uma enorme ausência de recursos humanos, o que dificulta o investimento na região. O autarca assegurou ainda que para que este projecto possa ser aprovado serão necessários vários estudos de viabilidade ambiental e económica e que jamais será aprovado “de mão beijada”.
20 pavilhões para 800 mil galinhas poedeiras às porta de Mação
O MIRANTE falou com alguns elementos da população, ligadas à politica e a associativismo local, e a opinião geral é que a construção de um aviário quase paredes meias com a vila pode gerar uma onda de descrédito sobre o concelho de Mação. Apesar de um aviário não ser tão poluente como uma vacaria ou uma pecuária, ninguém vai livrar a população de Mação dos cheiros e das moscas, que são o que mais resulta das instalações aviárias, dizem em uníssono a maioria dos empresários e dirigentes com quem conversamos.
Recorde-se que as instalações para 800 galinhas poedeiras, como parece estar no projecto, poderá obrigar à construção de mais de 20 pavilhões, o que será ás portas de Mação um cartão de visita que só poderá prejudicar a boa imagem de Mação.


