Sociedade | 04-01-2026 18:00

Moradores no Couço desesperam por soluções para estradas cheias de buracos

Moradores no Couço desesperam por soluções para estradas cheias de buracos
Moram no Couço e anseiam que lhes arranjem as estradas que passam à porta de onde vivem - foto O MIRANTE

Sempre que a chuva se intensifica, o acesso à Barroca, no Couço, transforma-se num percurso difícil e imprevisível, expondo um problema antigo que os moradores lamentam continuar por resolver.

Descemos a passo de caracol uma rua sem saída, em terra batida, na vila do Couço para falar com um dos moradores que conhece como ninguém a dor de cabeça de ter à porta de casa uma estrada que pede intervenção urgente. Fintamos um e outro buraco na estrada ao mesmo tempo que olhamos para uma berma que só é amigável para um pneu de um tractor. Ligamos para Marília Basílio. Está perto, pois ouvimos o eco no telemóvel enquanto esperamos pela moradora na Rua da Azinhaga do Vale.
Explicamos ao que vimos. Aqueles acessos merecem que se dê voz a quem ali vive. Parece mentira que a 550 metros transitem todo o tipo de veículos na Estrada Nacional 251. Na Estrada do Forno e na Rua da Azinhaga do Vale moram cerca de três dezenas de pessoas, um cálculo feito de cabeça pelos moradores com quem falámos. Ali o quotidiano passa a fazer-se com receio, paciência e improviso, numa estrada que deixa de ser caminho para se tornar obstáculo.
Moradores da zona da Barroca, na vila do Couço, concelho de Coruche, denunciam que ficam praticamente isolados sempre que chove, devido ao mau estado da Estrada do Forno e da Rua da Azinhaga do Vale, o único acesso às habitações, com várias valas, dificultando a circulação de viaturas e a passagem de meios de socorro.
Maria Basílio, moradora na Rua da Azinhaga do Vale há muitos anos, aponta prejuízos sucessivos em viaturas da família devido aos buracos. “O carro do meu filho partiu uma peça, o meu também já tem danos e o do meu irmão igualmente. Andamos de ano para ano à espera, dizem que arranjam no Verão, mas chega o Inverno e a estrada fica ainda pior”, lamenta. A moradora recorda ainda dificuldades em situações de emergência, relatando que, aquando da morte do pai, há cerca de dez meses, os bombeiros tiveram dificuldades em circular devido ao estado do piso.
Quando pedimos a Maria Basílio se é possível reunir alguns moradores para fazer o registo fotográfico, a residente chama pela mãe. Também Leonor Marçal, residente na Barroca, destaca o impacto na saúde e no acesso a cuidados médicos. “Tenho bronquite e, quando preciso de ir ao centro de saúde ou ao hospital, é um castigo para os bombeiros cá virem”, afirma. “No Verão disseram que vinham arranjar a estrada e até hoje nada”, conclui.
Subimos a rua, Maria e Leonor vêm à boleia na viatura de O MIRANTE, e encontramos Arlindo Sabino, 53 anos, a reparar uma viatura. As mãos estão pretas do óleo que pinga por um dos eixos da roda do automóvel. Mora na Barroca desde os 19 anos, altura em que trocou Santa Justa pelo Couço. Diz que a situação “sempre foi assim” e que os residentes sentem-se esquecidos. Com a mudança de executivo na junta de freguesia e na câmara municipal, admite existir alguma esperança. Segundo relata, a junta informou os moradores de que aguarda a intervenção da Câmara de Coruche para passar a máquina na estrada, ficando depois responsável pela manutenção. “Já cá vieram funcionários da junta e deram um jeito numa das ruas. Agora estamos à espera que a câmara venha endireitar a estrada”, explica. Segundo Luís Basílio, outro residente na localidade, a situação mantém-se há vários anos, apesar de promessas feitas pelo município de Coruche desde Novembro de 2023.

Intervenção aguarda por melhores condições climatéricas
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), está a par da situação e tem mantido contacto próximo com o presidente da Junta de Freguesia do Couço. Questionado por O MIRANTE, Nuno Azevedo explica que esta é uma competência delegada na junta de freguesia, embora o município preste apoio sempre que necessário.
Segundo Nuno Azevedo, a principal dificuldade não tem sido a falta de meios, mas sim as condições meteorológicas. “O tempo tem-nos impedido de intervir de uma forma mais consolidada. Este tipo de situações implica a mobilização de máquinas que revolvem o terreno e, com excesso de humidade, o solo não consolida, ficando ainda mais degradado e os arruamentos de terra batida intransitáveis”, refere, acrescentando que estão a ser feitas “intervenções pontuais”, aguardando que o tempo melhore para uma intervenção mais eficaz. Garante ainda que os moradores da Barroca “não estão esquecidos” e que o problema está a ser acompanhado.

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