Deslocalização da estação ferroviária de Santarém volta à ordem do dia
Presidente da Câmara de Santarém revelou, na última assembleia municipal, a intenção de se criar uma plataforma intermodal a sul da cidade, para servir os transportes ferroviário e rodoviário de passageiros.
A deslocalização da estação ferroviária de Santarém voltou à agenda política, com o presidente da câmara, João Leite (PSD), a tirar o coelho da cartola na última sessão da assembleia municipal, ao revelar a intenção, ainda em fase muito embrionária, de criar uma plataforma intermodal de transportes na zona sul da cidade, entre o futuro Hospital da Luz e o aeródromo local. Um projecto ambicioso que visa articular os transportes ferroviário, rodoviário e aéreo, aproveitando a proximidade ao aeródromo de Santarém.
João Leite referiu na assembleia municipal que a proposta já recebeu luz verde do Governo para ser estudada pela Infraestruturas de Portugal (IP), sendo considerada pelo autarca como uma “decisão estrutural para o futuro do concelho” que visa responder ao crescimento da procura pelo transporte ferroviário, impulsionado pela implementação do Passe Verde.
Os problemas de trânsito e estacionamento junto à actual estação ferroviária, na Ribeira de Santarém, agravaram-se com o aumento do número de utilizadores do comboio e tem sido objecto regular de debate político e de queixas de cidadãos. Com a nova opção no horizonte, João Leite assumiu que cai por terra outro projecto há muito falado na cidade: o da criação de um funicular entre a zona de São Bento, no planalto, e a Ribeira de Santarém.
“É uma grande oportunidade para posicionar e afirmar Santarém no contexto nacional, reorganizar a mobilidade urbana e regional, servir melhor a população e quem nos visita e potenciar o território do ponto de vista económico, turístico e social”, refere o autarca. Para já, não existe qualquer data definida nem orçamento previsto para a concretização do projecto. Apenas está prevista a assinatura de um protocolo com o Ministério das Infraestruturas e Habitação previsto para o início do ano, nos Paços do Concelho, com vista ao arranque do estudo da proposta.
O vereador do PS na Câmara de Santarém Pedro Ribeiro, também nas redes sociais, reagiu ao anúncio, sublinhando não ter objecções à ideia em si, mas questionando a ausência de respostas sobre “quanto tempo” levará o processo e “quem paga”. O autarca socialista apontou ainda a falta de planeamento, recordando que “cerca de 100 mil euros” foram já gastos em estudos para o projecto do funicular, sem que o projecto tenha avançado.
A nova estação que nunca saiu do papel
Na primeira década deste século foi muito falada a possibilidade de construção de uma variante ferroviária a Santarém. A projectada construção do novo traçado de caminho de ferro da Linha do Norte entre Vale de Santarém e Vale de Figueira implicava ainda a construção de uma nova estação na zona sul da Quinta dos Anjos, na periferia norte da cidade. A Avaliação de Impacte Ambiental do projecto da variante ferroviária a Santarém avançou em 2008, houve processos de expropriação de terrenos para esse fim, mas entretanto veio a crise financeira e o projecto foi metido na gaveta. E assim lá irá continuar.


