Associação de Coruche quer revisão de protocolo com município e admite suspender recolha de animais
A decisão resulta de um impasse prolongado sobre o apoio médico-veterinário e a regularização legal da colaboração entre o município e a Associação dos Amigos dos Animais de Coruche, que alerta para riscos no bem-estar animal.
A Associação dos Amigos dos Animais de Coruche (AAAC) pode vir a suspender temporariamente, a partir de 1 de Janeiro de 2026, a recolha de animais de companhia, por discordar dos actuais moldes do protocolo com a Câmara de Coruche e quanto à continuidade do apoio médico-veterinário. A associação rejeita a hipótese de receber uma verba anual, estimada em cerca de 40 mil euros, para recorrer a clínicas privadas, considerando que não é eticamente nem legalmente correcto receber financiamento para executar competências que são do município. Defende, em alternativa, a manutenção dos serviços no centro de recolha e a actualização do protocolo.
A associação recorda que, ao longo de 23 anos, tem desempenhado “um papel fundamental no bem-estar animal do concelho”, assegurando cuidados médico-veterinários, identificação electrónica, vacinação e esterilização, em especial no acolhimento de felídeos, colmatando limitações do Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia de Coruche.
A AAAC refere que tem procurado garantir, “de forma responsável e transparente”, as condições essenciais para a continuidade do trabalho desenvolvido, mas considera que a solução apresentada pelo município não assegura, na perspectiva da direcção, a qualidade dos cuidados prestados nem responde às necessidades reais no terreno.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, confirmou que já reuniu com a associação para clarificar questões legais relacionadas com o protocolo existente, sublinhando que se trata de um assunto que se arrasta desde o anterior mandato. Segundo o autarca, não existe incumprimento do protocolo em vigor, mas sim a necessidade de o rever para enquadrar legalmente necessidades que “vão para lá do que está actualmente previsto”, sobretudo no que respeita aos felídeos. E admitiu que poderá ser necessária uma adenda ao protocolo, uma vez que não existe, neste momento, margem para reduzir custos associados à actividade que a associação pretende continuar a desenvolver.
Já o presidente da associação, Daniel Aldeano, explicou que o único protocolo em vigor data de 2005 e que, apesar da criação do centro de recolha nesse ano, este funcionou sempre como canil, nunca como gatil. Desde então, salientou, o acolhimento de gatos tem sido assegurado pela associação, inicialmente através de famílias de acolhimento temporário e, mais recentemente, em instalações próprias, devido à dificuldade em recrutar voluntários.
Daniel Aldeano frisou que a associação actua sempre a título voluntário e em pós-laboral, defendendo que o que está em causa é apenas a continuidade dos cuidados básicos, nomeadamente a identificação electrónica, vacinação, esterilização e assistência médico-veterinária primária, os quais actualmente são assegurados pelo centro de recolha.


