Sociedade | 08-01-2026 18:00
Degradação estrutural no Aqueduto dos Pegões vai obrigar a avaliação técnica rigorosa
Sinais de degradação da estrutura classificada, no concelho de Tomar, preocupam especialistas e entidades do património - foto arquivo O MIRANTE
Vistoria recente, feita na sequência de alertas sobre o estado de degradação do monumento, confirmou a existência de deficiências estruturais no Aqueduto dos Pegões, em Tomar.
A vistoria técnica realizada no dia 6 de Janeiro ao Aqueduto dos Pegões, em Tomar, confirmou a existência de deficiências estruturais, levando o instituto público Património Cultural a avançar para um diagnóstico de engenharia rigoroso. “A situação geral do monumento justifica a necessidade de aprofundamento das acções de conservação, sendo que a observação à vista desarmada não permite uma avaliação rigorosa, pelo que será necessário efectuar um diagnóstico de engenharia o mais rigoroso possível”, indicou fonte oficial do Património Cultural, em resposta enviada à Lusa.
Segundo a mesma fonte, esse diagnóstico deverá ser realizado por “uma instituição independente e tecnicamente habilitada”, sendo considerado a base fundamental para a decisão sobre futuras intervenções de conservação e restauro daquele monumento situado em Tomar, no distrito de Santarém.
A recente vistoria decorreu na sequência de alertas para um eventual risco de colapso, e contou com a presença do presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), de membros do executivo e dos serviços técnicos municipais, da Protecção Civil e de uma delegação do Património Cultural, liderada pela vice-presidente do conselho directivo e integrada por técnicos das áreas de arquitetura e engenharia.
De acordo com o instituto público, a situação mais sensível localiza-se num troço de grande desenvolvimento vertical, onde se regista intensa colonização vegetal e sinais de degradação. Ainda assim, refere o Património Cultural que as monitorizações realizadas nos últimos anos pelos serviços municipais “não evidenciaram alterações significativas que permitam concluir existir um agravamento súbito do risco” para pessoas e bens.
Na sequência da visita técnica será agora produzido um relatório que reunirá a documentação disponível, cabendo às entidades envolvidas articular com a ESTAMO, entidade pública responsável pelo imóvel, os procedimentos necessários à concretização do diagnóstico.
A visita ocorreu após um alerta lançado pelo vereador do PS na Câmara de Tomar José Delgado, que classificou o estado do aqueduto como “alarmante” e defendeu a adopção de medidas preventivas imediatas, incluindo restrições à circulação de pessoas.
Já o presidente da câmara destacou à Lusa que a prioridade é “garantir um diagnóstico técnico rigoroso antes de implementar qualquer medida preventiva, assegurando simultaneamente a segurança de visitantes e residentes”. Tiago Carrão acrescentou que o Aqueduto dos Pegões é um “património de enorme valor histórico, cultural e simbólico”, sendo este diagnóstico “fundamental para que possamos planear intervenções de forma segura e responsável, preservando o monumento para as gerações futuras.”
O Aqueduto dos Pegões, também designado Aqueduto do Convento de Cristo, foi construído entre os séculos XVI e XVII para abastecer de água o Convento de Cristo, tem cerca de seis quilómetros de extensão e está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
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