Sociedade | 08-01-2026 15:00

Enterro de 600 mil aves infectadas com gripe gera preocupação na freguesia de Paialvo em Tomar

Enterro de 600 mil aves infectadas com gripe gera preocupação na freguesia de Paialvo em Tomar
António Candeias e João Carlos (da esquerda para a direita), moradores de Paialvo - foto O MIRANTE

Surtos de gripe das aves foram registados em quatro aviários da freguesia de Paialvo, em Tomar. Enterro das 600 mil aves está a gerar inquietação entre a população. O MIRANTE esteve na aldeia e falou com moradores. Contaminação das águas subterrâneas é a principal preocupação.

O enterro de aproximadamente 600 mil aves infectadas com gripe aviária na freguesia de Paialvo, concelho de Tomar, está a gerar inquietação junto da população, sobretudo pelo receio de eventuais impactos na saúde pública e no ambiente. O MIRANTE esteve em Paialvo a ouvir moradores e procurou perceber no terreno as principais preocupações, tendo também contactado o presidente da junta de freguesia, que confirmou ter solicitado esclarecimentos às entidades competentes sobre a situação.
Amâncio Ribeiro, presidente da Junta de Paialvo, explica que colocou directamente as suas dúvidas à Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV). “Perguntei se o enterro das aves pode contaminar as águas que andam no subsolo, até agora ainda não recebi resposta”, disse. O autarca sublinha que todo o processo foi conduzido pelas entidades competentes. “O enterro das aves não foi acompanhado por mim. As aves foram enterradas nos terrenos dos aviários, foram abertas valas enormes”, acrescentou.
Entre a população, as opiniões dividem-se. António Candeias, 65 anos, que se encontrava em Paialvo a visitar a filha, admite preocupação. “Ouvi falar sobre o caso e assumo que me causa alguma preocupação por causa da minha filha e dos meus netos”, realça. Com experiência profissional no sector, defende outra solução. “Na minha opinião, nestas situações os aviários deviam ter um forno para queimarem as aves. Eu trabalhei durante muitos anos em aviários e o que se fazia era queimar as aves mortas. Aquilo vai contaminar as águas, tenho a certeza”, afirma o cidadão.
Já João Carlos, 64 anos, residente em Paialvo há doze anos, relativiza a situação. “O meu filho trabalha num aviário e ele falou-me desta situação, esteve sem poder trabalhar durante alguns dias devido à gripe aviária. A mim não me causa preocupação”, refere.
Os surtos de gripe registaram-se em quatro aviários da freguesia, três localizados na zona das Curvaceiras e um em Charneca da Peralva. As 600 mil aves enterradas pertenciam ao aviário Agrozel – Agro-Pecuária do Zêzere, S.A., situado em Charneca da Peralva. O MIRANTE tentou contactar a administração da empresa, no sentido de obter esclarecimentos adicionais sobre o procedimento adoptado, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter resposta.

Tema foi debatido em reunião de câmara
O enterro das aves infectadas na freguesia de Paialvo foi tema na mais recente reunião do executivo da Câmara de Tomar. A vereadora Filipa Fernandes (PS) alertou para os potenciais riscos para a saúde pública e para a segurança ambiental. A autarca sublinhou que se trata de uma freguesia onde muitas famílias recorrem a água de furos para consumo doméstico e para actividades agrícolas, o que torna a situação particularmente sensível. Apesar de reconhecer que todo o processo terá sido acompanhado pelas autoridades competentes e que os procedimentos legais terão sido cumpridos, Filipa Fernandes considerou legítima a preocupação da população.
Em resposta, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), classificou o tema como “deveras sensível”, esclarecendo que todo o processo está sob a tutela da DGAV, entidade que acompanhou, monitorizou e decidiu os procedimentos adoptados. Do lado do município, garantiu que foi prestado todo o apoio solicitado, incluindo a colaboração dos bombeiros, que estiveram no local.
Segundo Tiago Carrão, o município foi informado de que o enterro das aves decorreu dentro da legalidade e das normas de saúde pública, tendo os animais sido tratados antes de serem enterrados em aterros localizados em zonas não habitacionais. O autarca revelou ainda que, desde 12 de Dezembro, foram identificados três surtos de gripe aviaria em Paialvo, tendo sido comunicada recentemente a existência de um quarto foco.
Reconhecendo a inquietação da população, o presidente da Câmara de Tomar manifestou abertura para solicitar formalmente esclarecimentos adicionais à DGAV, com o objectivo de tranquilizar os residentes e garantir que não existem riscos para a saúde pública.

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