Município quer vender grande parte do antigo quartel da Marinha em VFX
Solução para o espaço de 12 hectares da antiga Escola da Armada, que tem estado expectante desde que a Câmara de Vila Franca de Xira o comprou em 2017 por oito milhões de euros, divide opiniões. O presidente do município entende que só com o apoio de privados o local poderá ser dinamizado e reconvertido, defendendo a venda de terrenos em hasta pública.
A Câmara de Vila Franca de Xira está a preparar o lançamento, até Março, do processo de venda em hasta pública de pelo menos dez dos 12 hectares do antigo complexo da Escola da Armada, que foram comprados em 2017 pelo município por oito milhões de euros mas nunca serviram para nada.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, diz que os serviços municipais estão a finalizar a proposta que deverá ir a uma das próximas reuniões de câmara. O objectivo é, segundo o autarca, vender 85 por cento do espaço para nele criar condições para implementar um conceito de cidade ribeirinha, com espaços de habitação, comércio, serviços e de lazer. Os dois hectares sobrantes ficarão alocados à construção do novo tribunal da cidade, a construção do novo nó 2 de acesso à Auto-Estrada do Norte e um terreno para alargar o complexo desportivo do Cevadeiro. Tudo o resto vai para as mãos de privados. Ainda não foi revelado o valor da venda mas o autarca já disse esperar que pelo menos possa permitir ao município recuperar o investimento feito na compra do espaço.
A oposição no executivo já se tinha mostrado contra a ideia de vender o espaço a privados, quando o assunto foi pela primeira vez discutido em reunião de câmara, no ano passado. A CDU considerou a ideia lamentável e inaceitável, permitindo que privados comprem terrenos a bom preço para depois venderem casas a preços especulativos como acontece noutras zonas do concelho. Também a coligação Nova Geração, pela voz de David Pato Ferreira, lamentou o desperdiçar da oportunidade de usar os antigos terrenos da Marinha para ali construir ensino superior ou uma plataforma de negócios como o Tagus Valley. Já o Chega disse ter ficado estupefacto com a novidade, pedindo transparência no negócio.
A antiga unidade militar, recorde-se, estava desactivada desde 2009 e nos últimos anos entrou num acelerado processo de degradação. Chegou a formar mais de 1.500 militares por ano na Escola de Alunos Marinheiros e nos cursos específicos de máquinas, electricidade, cozinha e de sargentos. No espaço comprado pela câmara existem, entre outros, dezenas de edifícios de alojamento, escritórios, cantinas, escolas, piscinas, um heliporto e um pavilhão desportivo.


