Internamentos sociais no Hospital Vila Franca de Xira custam seis milhões por ano
Camas são ocupadas maioritariamente por idosos que não têm suporte familiar onde ficar nem estruturas residenciais na comunidade que os possam acolher, acabando por ocupar macas que fazem falta para os restantes utentes. É um problema que a nova administração quer ajudar a resolver.
O Hospital Vila Franca de Xira está a ser obrigado a gastar todos os anos seis milhões de euros em camas para internamentos sociais, na sua maioria idosos, que depois de serem atendidos na unidade não têm suporte familiar nem instituições na comunidade que os possam receber. É um problema que tem obrigado a unidade de saúde a contratar serviços extraordinários no exterior para acolher os doentes, por falta de oferta na rede nacional de cuidados continuados.
A situação, que retira verbas que eram importantes para realizar outros investimentos na unidade de saúde, já é do conhecimento da nova administração da unidade, liderada por Nuno Cardoso, que admite o peso significativo desta despesa no orçamento do hospital e diz estar a procurar com a sua equipa uma solução. “Temos neste momento mais de 80 camas contratualizadas para doentes que já tiveram alta clínica mas ainda estão internados”, explicou o responsável aos jornalistas, no final de uma visita realizada pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ao hospital.
A governante percorreu todas as áreas do hospital, acompanhada do gestor do hospital e do presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira, incluindo as urgências, que estiveram sob forte pressão no período festivo do Natal e do Ano Novo. Ana Paula Martins reconheceu a falta de meios no Hospital de VFX, estimando também que existam mais de 1.200 casos de internamentos sociais nos hospitais nacionais, de pessoas com alta clínica mas sem resposta noutros locais, prometendo para breve uma solução para algumas das situações. “Estamos a trabalhar há cerca de um ano com a Segurança Social. Eu espero que nos próximos dias possamos ter novidades sobre esta matéria”, disse, ainda durante a visita ao Hospital Vila Franca de Xira.
A ULS Estuário do Tejo, recorde-se, já havia explicado no último ano ao nosso jornal existir uma elevada percentagem de casos sociais entre os internamentos no hospital, dificultando a fluidez dos internamentos com origem em episódios de urgência. “Desde o início do ano já foram registados cerca de 80 casos sociais - doentes com alta clínica, mas aos quais não foi possível dar alta administrativa -, estando neste momento internados cerca de 30 desses casos”, acrescentava aquela entidade. Ainda assim, garantia, têm sido desenvolvidas iniciativas para resolver, por meios próprios, várias dessas situações para permitir libertar camas hospitalares sempre que possível, incluindo em parceria com a Misericórdia de Vila Franca de Xira.


