Sociedade | 11-01-2026 21:00

Pedro Ribeiro diz que Hospital de Santarém não melhorou e que falta de médicos tenderá a agravar-se

Pedro Ribeiro defendeu num artigo de opinião que no que toca ao socorro Portugal continua a fazer milagres

Vereador socialista da Câmara de Santarém afirma que a situação do Hospital Distrital de Santarém não melhorou com a nova administração e acredita que a falta de médicos tenderá a agravar-se. Pelo meio, Pedro Ribeiro acusa autarcas e ex-autarcas que terão contribuído para a queda da anterior administração e que agora estão em silêncio.

A notícia de encerramento do bloco de partos no Hospital Distrital de Santarém (HDS) na véspera e no dia de Ano Novo motivou uma reacção crítica do vereador da Câmara de Santarém e ex-presidente da Câmara de Almeirim e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), Pedro Ribeiro.
“Faz agora um ano que uma administração que vinha a demonstrar competência, seriedade e resultados foi afastada por motivos estritamente políticos. A decisão partiu de uma Ministra que, entretanto, já deu mais do que provas de não estar à altura das responsabilidades do cargo que ocupa. Este afastamento foi um processo marcado por pressões locais, protagonizadas por actuais e antigos autarcas e por estruturas partidárias, num exercício de poder que pouco teve a ver com o interesse público. Hoje, os mesmos, estão calados, quando a situação no HDS é muito pior em vários serviços”, publicou Pedro Ribeiro nas redes sociais.
O autarca socialista, agora na oposição, diz que “Apesar da narrativa que se tentou impor, essa administração era composta por pessoas de diferentes quadrantes, escolhidas não pela cor política, mas pelo mérito e pela capacidade técnica. Ainda assim, foi afastada, antes de completar um ano de mandato, e após seis meses de um processo que mais pareceu uma ‘telenovela mexicana’, com jogos de bastidores, ‘reuniões secretas’ e ‘traições’ que deveriam envergonhar os seus intervenientes”.
Pedro Ribeiro diz que “um ano depois” do afastamento da administração liderada por Tatiana Silvestre, “muito mudou — e, infelizmente, não para melhor”. E acredita que “a situação tenderá a agravar-se, sobretudo com a abertura do Hospital da Luz, que inevitavelmente intensificará a saída de profissionais do SNS”.
“A situação da maternidade, apesar de contar com profissionais altamente qualificados, dedicados e instalações de referência a nível nacional, é apenas a face mais visível e mediática de um problema estrutural muito mais profundo. O que está em causa não é um serviço isolado, mas um modelo de governação que desvaloriza a estabilidade, o planeamento e a competência. Um modelo incentivado por uma Ministra que de saúde tem apenas o nome”, afirma Pedro Ribeiro. E conclui dizendo: “Quando a política se impõe a tudo o resto, quem paga o preço não são os decisores. É a população, com o silêncio cúmplice de quem tudo fez para mudar apenas por interesses partidários e ‘vinganças’ mesquinhas”.

A reacção de João Leite
A publicação de Pedro Ribeiro mereceu reacção do presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), com o título “Comentário a um post cheio de hipocrisia”. João Leite diz que “a pergunta que devia ser feita é simples: onde estava Pedro Ribeiro, enquanto presidente da CIMLT, quando o primeiro-ministro António Costa, para se manter no poder, se aliou ao Bloco de Esquerda e ao PCP e, em conjunto, contribuíram para a degradação da resposta pública na saúde? Os problemas do SNS — e do Hospital de Santarém — não nasceram ontem, nem resultam da mudança de um conselho de administração”.
O presidente da câmara de Santarém afirma que “Pedro Ribeiro continua a falar da anterior administração, cuja escolha assentou, na sua maioria, por mais que tente negá-lo, em critérios de proximidade pessoal e ou partidária ao próprio”. E deixa também uma alfinetada ao seu adversário nas últimas autárquicas afirmando que “pior do que não saber ganhar é não ter consciência de que perdeu em toda a linha”, acrescentando que Pedro Ribeiro “é livre de ter opinião, naturalmente. Mas é importante reconhecer que a sua forma de agir e de pensar foi amplamente rejeitada”..

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