Falta de água em Cem Soldos preocupa município e exige investimento estrutural
Presidente da Câmara de Tomar afirma que é necessário investimento muito significativo para resolver a situação. Tiago Carrão refere que em alguns troços está a ser facturado menos de 10% da água colocada na rede.
O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), classificou como “grave” a situação de falta de água que se regista em Cem Soldos desde dia 7 de Janeiro. Durante a mais recente reunião do executivo municipal, o autarca sublinhou que é “inadmissível, nos dias de hoje, haver população tantos dias consecutivos sem água”, reconhecendo os transtornos causados aos moradores.
Segundo Tiago Carrão, trata-se de um problema antigo associado à captação de Mendacha e às características muito calcárias da água, que ao longo do tempo provocaram a obstrução das condutas. Apesar dos esforços desenvolvidos pelos serviços da empresa Tejo Ambiente para repor alguma normalidade no abastecimento, o autarca admitiu que as intervenções em curso têm apenas um carácter paliativo.
“O que está a ser feito não resolve o problema de fundo. O que é necessário é um investimento muito significativo para resolver esta situação de uma vez por todas”, afirmou, acrescentando que o problema afecta não só Cem Soldos, mas também outras localidades do concelho.
Entretanto, também a Tejo Ambiente já veio esclarecer a situação, explicando que os constrangimentos no abastecimento de água em Cem Soldos e Porto Mendo não resultam de roturas na rede, mas sim de uma obstrução significativa causada pela acumulação de calcário nas tubagens, num troço entre as duas localidades. Esta obstrução tem provocado uma redução acentuada da pressão da água, embora o abastecimento não esteja totalmente interrompido.
A empresa intermunicipal garante que tem equipas no terreno diariamente, com meios técnicos e operacionais, a realizar trabalhos de desobstrução nos pontos mais críticos da rede, com o objectivo de minimizar os constrangimentos e restabelecer o serviço. A Tejo Ambiente esclarece ainda que o transporte de água por outros meios não é uma solução eficaz, uma vez que se trata de um problema estrutural, relacionado com a antiguidade da infraestrutura, em funcionamento desde 1959, e com a acumulação de calcário ao longo de décadas. Apesar de reconhecer a fragilidade do sistema, a empresa reafirma o compromisso de resolver a situação com a maior brevidade possível, lamentando os transtornos causados à população.
Perdas de água preocupam
Tiago Carrão deu ainda conta da gravidade das perdas registadas na rede, referindo que em alguns troços está a ser facturado menos de 10% da água colocada, o que considera “gravíssimo” do ponto de vista da sustentabilidade, das finanças e da qualidade do serviço prestado aos cidadãos. O autarca já contactou o gabinete da ministra do Ambiente, defendendo que o problema não pode continuar a arrastar-se no tempo. O processo envolve também as Águas do Vale do Tejo e tem sido trabalhado ao longo dos anos pela Tejo Ambiente, mas, segundo o presidente da autarquia, é fundamental chegar rapidamente a uma solução definitiva, face ao impacto directo na vida da população.


