Sociedade | 15-01-2026 21:00

Antes de tentar matar a mulher deu dinheiro para comprarem flores para o funeral

Antes de tentar matar a mulher deu dinheiro para comprarem flores para o funeral
foto DR

Um homem de 56 anos de Ourém, pedreiro de profissão, que costumava consumir bebidas alcoólicas, foi condenado a sete anos de prisão por tentar matar a mulher com uma faca, por violência doméstica e por um crime de coacção agravado, na forma tentada.

Um homem de 56 anos de Ourém, pedreiro de profissão, que costumava consumir bebidas alcoólicas, foi condenado a sete anos de prisão por tentar matar a mulher com uma faca, por violência doméstica e por um crime de coacção agravado, na forma tentada. No dia em que tentou cortar o pescoço da mulher, que acusava de andar com outros homens, deu 10 euros a cada uma das duas mulheres que estavam na esplanada do café onde tinha estado a beber, dizendo que iam precisar do dinheiro para comprarem flores, referindo-se ao funeral da mulher com quem tinha casado há 35 anos.
O arguido já vinha a ameaçar a mulher, com quem tinha casado quando esta tinha 18 anos de idade e ele 20 anos, que a matava e a acusá-la de ter relações com outros homens. A relação estava a degradar-se de tal forma que o homem deixou de dar dinheiro para casa, mesmo para alimentação, tendo a vítima sido obrigada a recorrer à ajuda dos dois filhos para comer e comprar medicação. Aliás, o condenado, com a ajuda do patrão, abriu uma conta bancária só em seu nome para depositar o ordenado. Segundo o acórdão do Tribunal de Santarém, o homem já vinha a ofender a mulher desde 2021, três anos antes de a tentar matar em casa.
A situação agravou-se quando a vítima apresentou queixa na PSP depois de o marido lhe ter apertado os braços e tentado apertar o pescoço, sendo que um dos filhos, ao aperceber-se da situação, separou o casal para evitar mais agressões. Ele ameaçou-a na presença dos filhos que se não tirasse a queixa que a matava no dia seguinte. Nessa tarde de 17 de Agosto de 2024 foi para o café beber bebidas alcoólicas e disse a um conhecido que ia matar a mulher, tendo este tentado demovê-lo dizendo-lhe para não estragar a vida. Foi nessa altura que também deu o dinheiro às duas mulheres para comprarem flores, tendo uma delas telefonado para a vítima a contar o sucedido.
Nessa noite a mulher ficou no quarto de um dos filhos que estava ausente de casa, mantendo-se acordada com medo, tal como o outro filho que estava noutro quarto. O filho acabou por adormecer e o arguido ao verificar isso foi ao quarto onde estava a mulher com uma faca de cozinha, que lhe encostou ao pescoço, tendo-lhe tapado a boca com a mão para a impedir de pedir socorro. Segundo o tribunal, só não conseguiu cortar o pescoço porque ela colocou o braço à frente para se defender. Mesmo assim provocou-lhe ferimentos no braço e na face. Os dois acabaram por cair ao chão e a mulher conseguiu pedir socorro, e o filho conseguiu agarrar o pai pelos braços e tirar-lhe a faca. Quando chegaram os agentes da PSP confessou que a tinha esfaqueado e ameaçou que ela tinha a sentença lida, tendo sido detido de imediato.
Os juízes concluíram que o arguido actuou sem justificação e de forma deliberada. O arguido foi ainda condenado a pagar à vítima uma indemnização de três mil euros.

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