Avô que matou a neta à facada em Vialonga condenado a pena máxima
Colectivo de juízes não foi brando com Olegário Borges, de 71 anos, e aplicou-lhe a pena máxima pelo crime de homicídio qualificado da neta, de sete anos. A criança ainda se tentou defender dos ataques mas não conseguiu. Um crime que chocou a comunidade de Vialonga há dois anos.
Um massacre praticado com extrema violência e calculismo: foi desta forma que os juízes classificaram o crime praticado por Olegário Borges, de 71 anos, que matou a neta, Lara, de sete anos, em Vialonga, com 13 facadas. O homem foi condenado a 25 anos de cadeia, a pena máxima prevista na lei e sem qualquer atenuante, nem o facto de ter sido o primeiro crime que praticou na vida. A advogada do condenado já veio dizer que vai recorrer da decisão.
No julgamento, a juíza arrasou o arguido pela perversidade do crime praticado, lembrando que este cuidava da criança desde que ela tinha oito meses e que inclusivamente esta o tratava por paizinho. Foi dado como provado que o avô tinha uma relação de proximidade e confiança com a criança. A menina, percebendo o que se passava, ainda se tentou defender dos ataques do avô mas sem sucesso.
A juíza aludiu à suposta tentativa de suicídio do arguido, que considerou ter sido uma mera encenação para as autoridades, quando na realidade este nunca terá manifestado vontade real de colocar termo à vida. O tribunal considerou que o homem agiu de forma fria e calculista, por ciúmes da filha, e este admitiu perante os juízes que matou a criança, mas dizendo tê-lo feito apenas com uma facada e não as 13 que as perícias da judiciária mostraram, algo que manifestou falta de arrependimento do arguido por ter tirado a vida à neta. Um crime grave em que a mãe da criança não pediu qualquer pedido de indemnização cível pela perda da criança.
Uma morte que chocou Vialonga
A morte de Lara, recorde-se, aconteceu a 14 de Março de 2023. Foi morta à facada e o alerta foi dado pela mãe, que tinha acabado de chegar a casa no bairro da Icesa, por volta das 04h00, onde coabitava com o pai e a filha. Quando os Bombeiros de Vialonga chegaram ao local a menina ainda apresentava sinais vitais, no entanto Lara acabou por não resistir aos ferimentos e o óbito foi declarado no local. “Estava mergulhada num banho de sangue”, lamentou um vizinho que assistiu à cena e confessou a O MIRANTE estar chocado com o que viu.
Olegário Borges infligiu depois um golpe de faca ligeiro no pescoço e foi transportado para o hospital-prisão de Caxias onde recuperou dos ferimentos e aguardou julgamento em prisão preventiva. Segundo relatos do irmão do suspeito, este tinha receio que a filha levasse a neta Lara e fosse morar com a tia. No dia da tragédia o homem deixou duas cartas onde dizia que não aguentava ficar sem a neta. A criança não estava sinalizada e não houve indícios da intervenção de terceiros no crime. No dia 17 de Março centenas de pessoas marcaram presença no funeral da criança. Entre balões brancos, caminharam atrás da carrinha funerária até ao cemitério de Vialonga, onde Lara está sepultada.


