Cláudio Valente deixou vídeos onde rejeitou pedir desculpas pelos crimes que cometeu
Suspeito de triplo homicídio nos Estados Unidos da América, em Dezembro, cresceu no Entroncamento e finalizou o ensino secundário em Torres Novas, sendo considerado um aluno brilhante. Autoridades encontraram uma série de vídeos curtos gravados por Cláudio Valente após os tiroteios.
Cláudio Neves Valente, suspeito de matar dois estudantes da Universidade Brown e um compatriota professor do MIT em Boston, nos Estados Unidos da América, planeava o ataque há pelo menos seis semestres, segundo dados divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O suspeito, de 48 anos, que viveu a sua juventude no Entroncamento e fez o ensino secundário em Torres Novas, cidade onde nasceu, era um antigo aluno da Brown e foi encontrado morto num armazém em New Hampshire depois de ter matado dois estudantes e ferido outras nove pessoas num edifício de engenharia, em 13 de Dezembro. Dois dias depois, matou o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) Nuno Loureiro na sua casa em Brookline, subúrbio de Boston.
As autoridades do Departamento de Justiça adiantaram no dia 6 de Janeiro que, durante a busca no armazém onde o corpo de Cláudio Valente foi encontrado, o FBI (polícia federal) recuperou um dispositivo electrónico que continha uma série de vídeos curtos gravados por ele após os tiroteios. Nas gravações, o atirador admite em português que estava a “planear o ataque à Universidade de Brown há muito tempo”, segundo um comunicado de imprensa da Justiça norte-americana. Mas não apresentou uma razão para ter atacado Brown ou o professor do MIT, com quem estudou em Portugal há décadas.
Segundo as autoridades norte-americanas, o português disse que não sentia que tivesse nada por que pedir desculpa e que queria “sair por conta própria”. Nos vídeos, queixou-se ainda de ter ferido o olho durante os disparos. “Não vou pedir desculpa porque, durante toda a minha vida, ninguém pediu desculpas sinceras comigo”, frisou, segundo a Justiça norte-americana.
Cláudio Valente foi monitor do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde foi colega de curso de Nuno Loureiro, tendo a instituição rescindido o contrato no ano 2000, quando foi estudar para os Estados Unidos da América. Suspeito e vítima foram colegas de curso no Técnico, indicou a instituição, que confirmou em Dezembro ter sido contactada pelas autoridades norte-americanas na sequência das investigações do homicídio.
Cláudio Manuel Neves Valente cresceu no Entroncamento, onde fez o ensino básico na Escola Rui de Andrade e o 10.º ano na Escola Secundária do Entroncamento, saindo depois para Torres Novas para fazer o ensino secundário na Escola Maria Lamas. Algumas pessoas que privaram com ele dizem que era uma pessoa muito discreta, isolada e reservada. Era bom aluno e gostava muito de informática e de jogos de vídeo.


