Sociedade | 17-01-2026 21:00

Utente morre no Hospital de Santarém oito horas depois de receber pulseira azul

Utente morre no Hospital de Santarém oito horas depois de receber pulseira azul
Linda Lino era uma das responsáveis pelo utente, Celestino do Marco, que faleceu no HDS - foto O MIRANTE

Utente com sintomas de obstrução intestinal foi triado com pulseira de prioridade mínima. Sete horas após a entrada foi observado e encaminhado com urgência para cirurgia, mas acabou por morrer.

Celestino do Marco, 82 anos, morreu no Hospital Distrital de Santarém (HDS) na madrugada de dia 3 de Janeiro, um sábado, depois de ter esperado cerca de sete horas para ser observado por um médico. O utente, que se dirigiu àquela unidade hospitalar a 2 de Janeiro com queixas de dor abdominal e outros sintomas de possível obstrução intestinal - que pode levar à morte se não for tratada rapidamente - foi triado, cerca das 13h30, com pulseira azul (não urgente), que indica prioridade mínima.
Uma das sobrinhas que acompanhava o utente, Linda Lino, conta a O MIRANTE que após se aperceber de que o estado de saúde do tio estava a piorar pediu à equipa da triagem que o reavaliasse. Pediu também, segundo diz, uma maca para que o tio pudesse estar mais cómodo, mas ambas as solicitações foram rejeitadas. “O hospital estava um caos nesse dia. Disseram que não havia macas e todos os que entravam com pulseiras amarelas passavam à frente do meu tio. Ele foi ficando e piorando, até que já nem falava”. Foi nessa altura, cerca das 20h00, que voltou a ir junto da triagem pedir novamente uma reavaliação. “Dessa vez tiraram-lhe a pulseira azul e deram-lhe a amarela”, conta.
O utente, já com pulseira considerada urgente - cujo tempo de espera normal para primeira observação deve ser de 60 minutos -, foi visto por um médico, pelas 20h30, que depois de lhe fazer apalpação ao abdómen o encaminhou, com carácter de “urgência”, para cirurgia. “Ainda lhe tiraram sangue, mas já não deu tempo. O meu tio só não morreu na sala de espera porque reclamei e consegui uma pulseira amarela a muito custo”, diz, lamentando a morte do tio, que era uma pessoa autónoma e sem problemas de saúde associados.
Celestino do Marco, utente numa estrutura residencial para pessoas idosas em Coruche, tinha sido visto por um médico de medicina geral e familiar no dia 2 de Janeiro, que indicou que deveria ser observado no hospital por apresentar inchaço abdominal fora do normal. “O meu tio não defecava há cerca de oito dias! Levámos a carta desse médico connosco, mas de nada valeu. Para mim foi negligência da triagem”, lamenta a sobrinha que apresentou queixa no livro de reclamações do HDS.

ULS vai abrir inquérito
Contactada por O MIRANTE, a Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS) “lamenta profundamente o falecimento do utente” e refere que “todas as reclamações apresentadas são objecto de análise rigorosa, incluindo a averiguação clínica e organizacional dos factos, com garantia do cumprimento dos princípios da segurança do doente, qualidade assistencial e responsabilidade profissional”. A instituição diz ainda ter “total disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos devidos à família após conclusão dos respectivos procedimentos de análise”.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias