Sociedade | 18-01-2026 15:00

Calcário em condutas com mais de seis décadas em Tomar expõe fragilidades da Tejo Ambiente

Calcário em condutas com mais de seis décadas em Tomar expõe fragilidades da Tejo Ambiente
José Santos, director-geral da empresa intermunicipal - foto arquivo O MIRANTE

Acumulação de calcário em condutas com mais de seis décadas está a provocar falhas no abastecimento de água nas aldeias de Cem Soldos e Porto Mendo, no concelho de Tomar, expondo novamente fragilidades estruturais na rede gerida pela Tejo Ambiente e gerando críticas da autarquia e da população.

Os constrangimentos no abastecimento de água nas aldeias de Cem Soldos e Porto Mendo, no concelho de Tomar, resultam da acumulação de calcário nas tubagens e não de rupturas na rede, segundo comunicado da empresa intermunicipal Tejo Ambiente. A situação, identificada desde o dia 7 de Janeiro, está a provocar uma redução significativa da pressão da água, afectando o quotidiano das populações. De acordo com a empresa, a obstrução localiza-se num troço da conduta entre as duas localidades e resulta da acumulação de calcário ao longo de décadas, numa infraestrutura em funcionamento desde 1959. Apesar do fornecimento não estar totalmente interrompido, os problemas têm sido sentidos sobretudo nas horas de maior consumo.
A Tejo Ambiente garante que tem equipas no terreno diariamente a realizar trabalhos de desobstrução da rede, mas admite que poderão continuar a verificar-se condicionamentos pontuais, sem avançar uma data para a reposição total da normalidade. Este episódio vem juntar-se a um historial de dificuldades na gestão do abastecimento de água por parte da Tejo Ambiente, situação que tem sido noticiada por O MIRANTE. Ao longo dos últimos anos, o nosso jornal tem dado conta de queixas de munícipes, críticas de autarcas e debates políticos relacionados com falhas no serviço, problemas no saneamento e aumentos das tarifas praticadas pela empresa intermunicipal. Têm sido apontadas fragilidades estruturais da rede e dificuldades na resposta a ocorrências, sobretudo em períodos de maior pressão sobre o sistema.
No caso de Cem Soldos e Porto Mendo, a empresa defende que o transporte de água por meios alternativos não é solução, alegando que o problema é estrutural e agravado pela antiguidade da rede e por alterações na origem da água introduzidas em 2022. Uma explicação que parece voltar a evidenciar a falta de investimento estrutural e a dificuldade em garantir um serviço fiável.
Desde a sua criação, em 2019, a Tejo Ambiente tem estado no centro da polémica em vários concelhos do Médio Tejo. Em diferentes momentos, autarcas e populações têm manifestado preocupação com a antiguidade das infraestruturas, a resposta às ocorrências e a capacidade da empresa em assegurar um serviço público essencial com qualidade e regularidade. Em Tomar, as críticas têm sido recorrentes, com sucessivas situações de constrangimentos no fornecimento de água a gerar descontentamento junto dos munícipes.

Presidente da câmara lamenta situação e perdas de água

O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), classificou como “grave” a situação de falta de água que se regista em Cem Soldos desde dia 7 de Janeiro. Durante a mais recente reunião do executivo municipal, o autarca sublinhou que é “inadmissível, nos dias de hoje, haver população tantos dias consecutivos sem água”, reconhecendo os transtornos causados aos moradores. “O que está a ser feito não resolve o problema de fundo. O que é necessário é um investimento muito significativo para resolver esta situação de uma vez por todas”, afirmou, acrescentando que o problema afecta não só Cem Soldos, mas também outras localidades do concelho. Tiago Carrão deu ainda conta da gravidade das perdas registadas na rede, referindo que em alguns troços está a ser facturado menos de 10% da água colocada, o que considera “gravíssimo” do ponto de vista da sustentabilidade, das finanças e da qualidade do serviço prestado aos cidadãos. O autarca já contactou o gabinete da ministra do Ambiente, defendendo que o problema não pode continuar a arrastar-se no tempo. O processo envolve também as Águas do Vale do Tejo.

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