Sociedade | 19-01-2026 15:00

O caos no Hospital de Santarém e os comunicados da administração

O caos no Hospital de Santarém e os comunicados da administração
Pedro Marques - foto DR

A administração do Hospital de Santarém lançou um comunicado em resposta a notícias da comunicação social. Pedro Marques está muito preocupado com as notícias e o seu efeito na opinião pública, mas a verdade é que o caos se instalou no Hospital de Santarém com a suspensão de consultas e os mesmos problemas de sempre nas urgências.

Quem entra no Serviço de Urgência do Hospital Distrital de Santarém encontra um ambiente de forte pressão, marcado por longos tempos de espera, elevada afluência e profissionais a tentar dar resposta num sistema que parece estar a operar no limite. Apesar das garantias da Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) de que tudo “funciona de forma regular”, segundo comunicado distribuído em pleno caos, os relatos de muitos utentes e profissionais apontam para um cenário complexo e preocupante. A vaga de gripe e de infecções respiratórias que se intensificou nas últimas semanas não é um fenómeno inesperado. Ainda assim, a forma como o Hospital de Santarém, gerido pela Unidade Local de Saúde da Lezíria, tem respondido ao desafio, volta a levantar dúvidas sobre a sua capacidade estrutural para lidar com crises.
Num comunicado recente enviado para a redacção de O MIRANTE, a ULS Lezíria assegura que a situação está controlada, que existe um plano de contingência activo e que as medidas adoptadas visam garantir a segurança dos utentes e dos profissionais. No entanto, essa leitura contrasta com aquilo que tem sido tornado público, nomeadamente os episódios de sobrelotação, dificuldades na admissão de doentes e constrangimentos graves na gestão de macas e internamentos.

Salas cheias, corredores ocupados e esperas prolongadas
Segundo relatos recolhidos junto de muitos utentes, em dias de grande afluência, como o da época de final do ano, há doentes várias horas à espera de observação médica ou de encaminhamento para internamento. As salas de espera enchem, os corredores transformam-se em zonas improvisadas e o desgaste emocional torna-se evidente, tanto para utentes como para profissionais de saúde, que descrevem um ambiente de exaustão. Falam em equipas reduzidas, turnos prolongados e dificuldade em manter os padrões de resposta desejáveis quando a procura ultrapassa largamente a capacidade instalada.
O conselho de administração da ULS, presidido por Pedro Marques, reconhece que foi necessário adiar actividades assistenciais programadas não urgentes e reorganizar camas e áreas de internamento. As decisões são apresentadas como medidas técnicas e temporárias. No entanto, estes tipos de soluções repetem-se ano após ano. A deslocação de profissionais dos cuidados de saúde primários para reforçar a urgência, conforme noticiou o nosso jornal, é outro exemplo de uma resposta que resolve um problema imediato, mas cria outras fragilidades. Por exemplo, consultas são adiadas, centros de saúde ficam com menos capacidade e essa realidade acaba por “empurrar” ainda mais utentes para a urgência hospitalar.
Embora a ULS insista que não existe ruptura, a sucessão de episódios sugere que o Hospital de Santarém tem uma pressão crescente e constante, sobretudo em alturas de maior “aperto”, sem que tenha havido um reforço estrutural proporcional. A falta de médicos em determinadas especialidades, a dificuldade em fixar profissionais e a dependência de soluções de curto prazo são problemas antigos que continuam por resolver.

À margem/opinião

Hospital de Santarém vive dias difíceis, mas administração resolve com comunicados

A administração do Hospital de Santarém respondeu às notícias que relatam o caos no Hospital de Santarém com palavras de circunstância. Como é evidente, haver jornais e jornalistas em cima dos acontecimentos que denunciam o mau trabalho das administrações hospitalares não é a melhor prenda de Ano Novo para os políticos que, como Pedro Marques, vivem no melhor dos mundos. Daí que não possamos deixar de notar a postura arrogante de quem faz a gestão de um Hospital onde um doente com pulseira azul pode ter que esperar 8 horas para ser atendido e onde se morre como se pode ler no texto que publicamos em cima. Pedro Marques devia ter vergonha de saber escrever tão bem para esconder o que faz tão mal e está à vista de todos.

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