Sociedade | 22-01-2026 10:22

Sem médicos de família, Cerci assume novamente Bata Branca em Azambuja apesar de dívidas e falta de apoios

Sem médicos de família, Cerci assume novamente Bata Branca em Azambuja apesar de dívidas e falta de apoios
José Manuel Franco - foto O MIRANTE

Instituição volta a chegar-se à frente para assumir a continuidade de um projecto que tem sido tábua de salvação num concelho onde mais de 90% dos utentes não têm médico atribuído.

A Cerci Flor da Vida decidiu que vai voltar a assegurar a continuidade do projecto Bata Branca em Azambuja, concelho onde há apenas um médico de família e mais de 90% da população não tem um clínico atribuído. As consultas programadas já foram retomadas, embora os acordos de cooperação com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Estuário do Tejo e a Câmara de Azambuja ainda não tenham sido formalizados.
“Mais uma vez nós é que estamos a levar o projecto ao colo”, diz a O MIRANTE o presidente do conselho de administração da instituição, José Manuel Franco, que já reuniu com os responsáveis da ULS. Uma das garantias deixadas por esta entidade, refere, é que a verba a transferir para pagar aos médicos contratados pela Cerci será feita a tempo e horas. Esta era uma das exigências feitas pela Cerci tendo em conta que do acordo referente ao ano anterior, celebrado com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e cessado a 31 de Dezembro, ainda há pagamentos em atraso à instituição. “Nós pagámos aos médicos, mas ainda não recebemos os meses de Setembro, Novembro e Dezembro”. Um montante em falta, refere, de 15.957 euros.
Também a Câmara de Azambuja ainda não assinou o acordo com a Cerci, havendo a perspectiva de o documento ser apreciado e votado em reunião do executivo municipal realizada no dia de fecho desta edição. Para já, o projecto recomeça com nove médicos e uma enfermeira, e sem consultas de doença aguda, ou seja, apenas com consultas programadas. As marcações vão continuar a ser feitas pela ULS. A retoma do projecto, salienta José Manuel Franco, representa um esforço da instituição vocacionada para o apoio a pessoas com deficiência que reconhece a necessidade de continuar a assegurar cuidados de saúde primários à população. “É um projecto que envolve muita responsabilidade e que recai sobre a entidade contratante que somos nós”, sublinha. Segundo o dirigente, além do prejuízo financeiro que o Bata Branca representou em 2024 nas contas da instituição (22 mil euros) e possivelmente em 2025, que ainda está em análise, continuam a existir encargos financeiros para a Cerci sem cabimentação por parte das outras duas entidades que celebram o acordo. Nomeadamente o pagamento de uma taxa em valor superior a seis mil euros à Segurança Social.
O projecto Bata Branca, recorde-se, foi implementado em 2023 com o propósito de colmatar a falta de médicos de família, tendo sido sempre apontado como sendo uma solução transitória. O concelho vai passar a ter uma Unidade de Saúde Familiar (USF), modelo B, contudo estima-se que esta dê resposta a apenas sete mil dos 18 mil utentes inscritos.

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