Crianças esperam pelo autocarro numa valeta em Azambuja
O caso não é único no concelho de Azambuja e volta a motivar queixas: há crianças a esperar pelo transporte ao frio e à chuva, sem qualquer protecção. Mãe faz apelo ao município para que coloque mais abrigos de passageiros.
Pelo menos cinco crianças aguardam pelo transporte público que as leva para a escola dentro de uma valeta, situada na Rua da Fonte, em Casais das Boiças, concelho de Azambuja, onde está uma tabuleta que indica ser paragem de autocarros que não tem qualquer protecção que as abrigue do frio ou da chuva. Depois desta espera, as crianças viajam durante cinco minutos até Alcoentre onde têm depois de esperar cerca de 25 minutos pelo autocarro seguinte, numa antiga estação, onde não têm bancos para se sentarem e a protecção existente para as abrigar da chuva é uma cobertura com telhas contendo amianto.
“Este Inverno tem sido duro, chove imenso e não se percebe como isto ainda acontece nos dias de hoje”. O lamento é feito a O MIRANTE por Carla Santos, mãe de duas dessas crianças, que dá a cara por uma situação que, diz, é de fácil resolução caso haja vontade da parte das entidades competentes. “Há - poucos metros mais à frente - espaço para ser colocado um abrigo” para que possam estar abrigadas e em segurança até, porque, as crianças apanham o autocarro junto a uma estrada, às 07h15, hora de pouca luz no Inverno.
Carla Santos salienta que recentemente foram substituídos naquele concelho alguns abrigos que, “embora estivessem ferrugentos, ainda tapavam a chuva por uns bons anos”. O que podiam ter feito, defende, era terem colocado abrigos onde fazem falta e não existem, como é o caso da Rua da Fonte, na freguesia de Alcoentre, onde os seus filhos de 11 e 13 anos esperam pelo autocarro ao frio e à chuva. O relato e apelo desta mãe surge depois de O MIRANTE ter noticiado o caso de duas outras crianças que, na freguesia de Azambuja, esperam pelo autocarro abrigadas da chuva debaixo de uma tampa de um contentor do lixo. “Aqui também há um, mais à frente, já lhes disse para abrirem a tampa e fazerem o mesmo quando chover”, diz.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, refere em resposta ao nosso jornal que o município “não pode colocar abrigos ao pé de cada casa nem parar uma camioneta para receber alunos de casa em casa”. O autarca diz que a autarquia já faz os possíveis para que as crianças apanhem o transporte escolar o mais perto possível das suas residências. Ainda assim, completou, está disponível para avaliar casos que se justifiquem. No caso das duas crianças que se abrigam debaixo da tampa do contentor do lixo, recorde-se, Silvino Lúcio disse em reunião de câmara que se iria informar acerca do pedido feito pela família das mesmas para a colocação de um abrigo.


