Morreu Orlando Raimundo, jornalista e autor de “O Último Salazarista” e “O Inventor do Salazarismo
Orlando Raimundo (77 anos) morreu na passada terça-feira. Desapareceu um jornalista e escritor que amava a sua profissão, e que mesmo com problemas graves de saúde durante largos anos, nunca largou a escrita sendo autor de livros que fazem e vão ficar na História da literatura ensaística.
Faleceu na passada terça-feira, dia 20, de doença prolongada, o jornalista e escritor Orlando Raimundo. A sua vida profissional está para sempre ligada ao jornal semanário “Expresso”, onde trabalhou quase vinte anos, mas também a jornais já desaparecidos que fazem parte da História da imprensa portuguesa, como é o caso de “O Século” e do “Diário Popular”.
Dos muitos livros publicados destacam-se “A Linguagem dos Jornalistas e “A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo”, “A Última Dama do Estado Novo e Outras Histórias do Marcelismo”, considerado uma obra de referência sobre os anos finais da ditadura.
O mais completo é, sem dúvida, o livro “António Ferro- o Inventor do Salazarismo”, onde o autor mostra uma cultura e um conhecimento da vida política e cultural dos últimos cem anos que só encontramos em muito poucos jornalistas e escritores seus contemporâneos. "O Último Salazarista- a outra face de Américo Thomaz", é outro dos seus livros de referência.
Orlando Raimundo era licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais. Estudou jornalismo em Paris e Tóquio, pós-graduou-se no ISCTE e foi assessor editorial do Instituto Politécnico de Lisboa. Enquanto profissional da Comunicação Social, ajudou a lançar o primeiro jornal da Guiné-Bissau livre e independente e a fundar o Cenjor
O MIRANTE só soube da sua morte no dia do seu funeral, que se realizou esta quinta-feira dia 22, segundo informação da família.
Orlando Raimundo fica para sempre ligado à História de O MIRANTE não só por ter acompanhado percurso do jornal logo desde a sua fundação, há mais de 38 anos, como por ter escrito “O Processo - Tentativas de condicionamento da informação em Portugal”, um livro para quem se interessa por decisões judiciais que põem em causa a liberdade e a democracia; um caso que inclui invasão policial da redacção de O MIRANTE, limitações à liberdade de imprensa e uma indemnização de 27 milhões de euros.
Orlando Raimundo foi um destacado formador de jornalistas no Cenjor, e acompanhou sempre os congressos da classe, embora quase sempre do lado dos que nunca se contentaram com a forma como os jornalistas, e a imprensa regional e local em particular, se deixavam manobrar pelos interesses instalados.


