Confrontos entre alunos de várias nacionalidades acabam em rixa à porta da Escola Alexandre Herculano
Alunos de várias nacionalidades envolveram-se em desacatos a poucos metros da Escola Alexandre Herculano, em Santarém. Polícia foi ao local e há registo de pelo menos dois feridos. Direcção do agrupamento de escolas abriu procedimento para apurar responsabilidades.
Dois grupos de jovens, que frequentam o segundo e terceiro ciclos na Escola EB 2,3, Alexandre Herculano, em Santarém, envolveram-se em confrontos no exterior daquele estabelecimento de ensino, com a PSP a tomar conta da ocorrência. Os desacatos, que terão tido início no Vale de Santarém, onde os elementos dos grupos residem, ocorreram na manhã de sexta-feira, 9 de Janeiro, com pelo menos dois dos alunos envolvidos a sofrerem ferimentos e a necessitar de cuidados hospitalares.
Em declarações a O MIRANTE, a directora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, Margarida da Franca, começou por sublinhar que não houve agressões dentro da escola, mas que por se tratar de alunos da mesma e por os confrontos terem ocorrido nas suas imediações foi aberto um processo de averiguações, cujas audições terminam na quinta-feira, 15 de Janeiro. Um procedimento que, vincou, tem em vista o “apurar de factos e responsabilidades”.
Até ao momento nenhum dos alunos envolvidos foi suspenso, no entanto, O MIRANTE sabe que três elementos de um dos grupos, dois dos quais de nacionalidade portuguesa, têm antecedentes disciplinares. Um deles, inclusive, já foi suspenso mais do que uma vez no decorrer deste ano lectivo. O outro grupo envolvido é composto por alunos de nacionalidade paquistanesa, sendo que nenhum tem registo anterior de sanções disciplinares. Margarida da Franca destaca que o agrupamento de escolas, que tem alunos de 29 nacionalidades, tem implementado um plano de integração delineado para um contexto multicultural, tendo, inclusive, ao serviço uma mediadora a tempo inteiro. “Dentro da escola não há registo de distúrbios”, vinca a directora.
Testemunhas atestam que há semanas que os elementos dos grupos se insultam e ameaçam dentro e fora da escola. No dia 9 de Janeiro, as mesmas fontes, referem que as agressões começaram na paragem de autocarros no Vale de Santarém, e terão partido do grupo de paquistaneses contra os jovens portugueses. Situação que levou alguns pais a seguir o autocarro até à escola, com o intuito de proteger os filhos de novas agressões. “No entanto, à chegada à Escola Alexandre Herculano, encontrava-se um novo grupo de alunos estrangeiros, sendo que um deles empunhava um taco de críquete. De imediato, estes alunos partiram para agressões físicas contra os alunos portugueses”, refere ao nosso jornal uma pessoa que pede para não ser identificada por receio de represálias.
Autarca do Vale de Santarém diz que comunidade é “pacífica”
No dia seguinte, 10 de Janeiro, terá havido novos desacatos a envolver os dois grupos de jovens. A Guarda Nacional Republicana (GNR) confirma a ocorrência e a referência a um taco de críquete, mas diz que aquando da chegada da patrulha ao local os grupos já haviam dispersado. Até ao momento, acrescenta a Guarda, não foi formalizada queixa.
Estes episódios surpreendem o presidente da Junta de Freguesia do Vale de Santarém, vila onde a população paquistanesa residente é significativa e para onde muitos outros se deslocam para rezar num anexo que foi convertido numa mesquita, onde os muçulmanos chegam a rezar cinco vezes ao dia. “Não temos tido qualquer tipo de queixa, são pessoas enquadradas na tranquilidade da vila, pacíficas e que não se metem com ninguém”, refere Manuel Neves. O Vale de Santarém é, de acordo com dados recolhidos por O MIRANTE em Janeiro de 2024, a segunda freguesia do concelho de Santarém que mais população imigrante alberga, a seguir à União das Freguesias da Cidade de Santarém.


