Morreu em Abrantes à espera de ajuda: INEM fala em resposta adequada e bombeiros contestam prazos de socorro
Um homem de 45 anos morreu na manhã de quinta-feira, 22 de Janeiro, junto à estação de comboios do Tramagal, em Abrantes, depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória e aguardado mais de 20 minutos pela chegada dos meios de socorro. Enquanto o INEM garante que não houve falhas na activação nem na disponibilidade de meios, os bombeiros e os profissionais da emergência contestam os tempos de resposta definidos.
Um homem de 45 anos morreu na manhã de quinta-feira, 22 de Janeiro, junto à estação de comboios do Tramagal, no concelho de Abrantes, depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória e aguardado mais de 20 minutos pela chegada dos meios de emergência. Segundo informações recolhidas por O MIRANTE, o alerta foi dado às 07h30 através do 112, tendo a ocorrência sido classificada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) como prioridade 1, reservada a situações de risco imediato de vida. De acordo com as regras do novo sistema de triagem em vigor desde o início do ano, os meios de socorro deveriam chegar ao local no prazo de oito minutos.
O INEM garante, no entanto, que “não se registaram dificuldades na activação ou disponibilidade de meios”, referindo que uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER) foi accionada às 07h32 e os bombeiros de Abrantes às 07h34. A VMER acabaria por chegar ao local às 07h53, cerca de 23 minutos após a chamada inicial. À agência Lusa, o INEM justificou o tempo de chegada com a distância entre a base da VMER e a estação ferroviária do Tramagal, considerando o percurso “compatível” com os 18 minutos estimados de deslocação. Pelo meio, às 07h45, foi comunicada a paragem cardiorrespiratória da vítima, mantendo-se o acompanhamento clínico por via telefónica.
Os Bombeiros Voluntários de Abrantes admitem dificuldades no cumprimento dos tempos definidos pelo INEM, sobretudo devido às condições das vias de acesso. O comandante da corporação afirmou ser “impossível”, em muitos casos, cumprir o prazo de oito minutos, referindo que o trânsito pesado e a impossibilidade de ultrapassagem podem fazer com que o tempo de resposta chegue aos 35 ou 40 minutos.
O caso ocorre num contexto de pressão acrescida sobre os serviços de emergência. O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar confirmou que, na tarde desse mesmo dia, existiam mais de 60 ocorrências em simultâneo em espera por meios de socorro, muitas delas com tempos de resposta já ultrapassados face às prioridades definidas.
Esta morte voltou a lançar o debate sobre a adequação dos tempos de resposta estipulados pelo INEM à realidade do território, sobretudo em concelhos do interior, onde as distâncias, a falta de meios e as condições das estradas continuam a ser fatores determinantes no socorro às populações.


