Sociedade | 24-01-2026 12:00

Queda do império imobiliário de Luís Filipe Vieira trava mega-urbanização em Alverca

Queda do império imobiliário de Luís Filipe Vieira trava mega-urbanização em Alverca
Antiga Quinta do Cochão em Alverca está em ruínas há décadas e tudo indica que assim vai continuar nos anos mais próximos - foto DR

A empresa, do antigo universo imobiliário de Luís Filipe Vieira, tinha como pretensão construir mais de 400 habitações numa urbanização em Alverca mas acabou por ser declarada insolvente.

A Imocochão, uma sociedade que integrava o universo de negócios de Luís Filipe Vieira, foi declarada insolvente pelo tribunal este mês, deixando incerto o destino a dar à urbanização da Quinta do Cochão, em Alverca. Era um mega projecto imobiliário, que previa trazer para a cidade de Alverca mais 1.200 habitantes em 400 novos apartamentos a construir na Quinta do Cochão, que tem estado ao abandono há décadas. Com a insolvência os terrenos que pertenciam à Imocochão deverão ser o principal activo para os credores, onde se conta em primeiro lugar o Novo Banco, seguido da Autoridade Tributária, uma sociedade de advogados e um fundo de investimento. Durante 30 dias decorre o prazo formal para a reclamação de créditos e dia 25 de Fevereiro está agendada uma assembleia de credores, noticia o Expresso. As dívidas do universo imobiliário do empresário rondam os 400 milhões de euros.
A urbanização da Quinta do Cochão é falada há duas décadas e pelo menos desde 2008 que O MIRANTE tem dado nota da pretensão de construir no local. Em 2008, recorde-se, a Câmara de Vila Franca de Xira, à data presidida por Maria da Luz Rosinha, chegou a aprovar um protocolo a assinar entre o município e a Imocochão, para dar luz verde à urbanização e pedindo medidas de compensação para a comunidade, caso a urbanização avançasse, como a regularização do rio Crós-Cós na zona de influência do loteamento, a recuperação e ampliação da escola primária EB1 nº 2 de Alverca e a cedência de 7.700 metros quadrados ao município para a construção de um parque de feiras e exposições. Em causa estava a pretensão de Luís Filipe Vieira em construir 400 habitações num terreno de 19 hectares que tem estado expectante desde então.
A Imocochão era uma empresa do grupo Promovalor, que foi sendo notícia nos últimos anos por ter visto bastantes financiamentos atribuídos pelo antigo Banco Espírito Santo. Sem a urbanização ter avançado as dívidas acabaram por transitar para o Novo Banco, que para acolher os activos teve de criar um fundo de investimento próprio, que nunca conseguiu reembolsar o banco pelas perdas. Em 2021, quando o Parlamento constituiu uma comissão parlamentar de inquérito para questionar o empresário sobre as perdas do Novo Banco - onde além da Imocochão também constava a Quinta dos Fidalgos da Castanheira do Ribatejo - este garantia que o projecto para a urbanização estava aprovado pela Câmara de Vila Franca de Xira, mas lamentava que ninguém apostasse no projecto. “Eu, se fosse a tomar a decisão, arriscava. Garanto que arriscava, lançar a Quinta do Cochão toda, de uma vez só, ou metade. Eu fazia as infraestruturas. Em Alverca toda a gente anda à procura de casa”, afirmou Luís Filipe Vieira na comissão.
Em Março do ano passado, como O MIRANTE noticiou, o Novo Banco colocou à venda onze terrenos que eram de Luís Filipe Vieira, incluindo dois no concelho de VFX e um em Samora Correia, concelho de Benavente, por 110 milhões de euros, mas sem interessados. Houve, no entanto, um desenvolvimento, na Quinta dos Fidalgos na Castanheira do Ribatejo, um terreno de 14 hectares, que em Novembro do ano passado viu ser aprovado um Processo Especial de Revitalização para tentar recuperar créditos de 13,6 milhões de euros.

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