Sociedade | 24-01-2026 18:00

Santarém é o distrito de Portugal continental onde nasceram menos bebés em 2025

Santarém é o distrito de Portugal continental onde nasceram menos bebés em 2025
No distrito de Santarém, os dados mostram que em 2025 foram rastreados 2.852 recém-nascidos, menos 22 do que em 2024 - foto arquivo O MIRANTE

O distrito de Santarém fica para trás na recuperação da natalidade no país. Enquanto o país regista mais nascimentos, o distrito continua numa tendência negativa, registando em 2025 menos nascimentos do que em 2024.

Portugal voltou a registar um aumento do número de nascimentos em 2025, mas o distrito de Santarém não acompanhou essa recuperação e voltou a perder peso demográfico. Os dados mostram que, num ano em que o país teve o maior número de nascimentos da última década, Santarém registou menos bebés do que em 2024, confirmando que o problema da natalidade na região é estrutural e não conjuntural.
O número de nascimentos em Portugal voltou a crescer em 2025, atingindo o valor mais elevado da última década. No entanto, o distrito de Santarém não acompanhou essa tendência, registando uma diminuição do número de recém-nascidos face ao ano anterior, de acordo com os dados do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (teste do pezinho), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Em 2025 foram rastreados 87.708 bebés em todo o país, mais cerca de três mil do que em 2024, ano em que tinham sido registados 84.631 nascimentos.
No entanto, no distrito de Santarém o cenário foi diferente. Os dados mostram que em 2025 foram rastreados 2.852 recém-nascidos, menos 22 do que em 2024, quando se tinham contabilizado 2.874 bebés. Embora a descida seja pouco expressiva em termos absolutos, assume significado num distrito que há vários anos enfrenta desafios relacionados com o envelhecimento da população e a perda de residentes em idade fértil.

Interior continua a perder peso demográfico
Enquanto distritos como Lisboa e Porto voltaram a crescer, territórios do interior e do centro continuam a mostrar maior dificuldade em inverter a tendência demográfica. Santarém mantém um peso intermédio no contexto nacional, mas os números revelam que a recuperação da natalidade não está a chegar de forma uniforme a todo o território. Apesar da ligeira quebra, Santarém continua a registar um número de nascimentos superior ao de vários distritos do interior.

À margem/opinião

Maternidades encerradas agravam problemas de nascimentos no distrito

A diminuição do número de nascimentos no distrito de Santarém surge num contexto em que as maternidades e blocos de parto têm estado frequentemente encerrados, sobretudo por falta de médicos especialistas. Muitas grávidas foram obrigadas a deslocar-se para Lisboa, Leiria ou Coimbra para dar à luz, aumentando a pressão sobre famílias e serviços de urgência fora da região. Muitas delas nem sequer conseguiram chegar às maternidades e tiveram os partos em ambulâncias dos bombeiros, um cenário que tem contribuído para o descrédito do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Profissionais de saúde e autarcas têm alertado para a instabilidade no funcionamento das maternidades da região, mas tem sido como “chover no molhado”. De que vale os responsáveis locais criarem programas de incentivo à natalidade se depois o Estado não assegura serviços básicos de proximidade?.

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