Acolhimentos de crianças na região marcados por contextos de negligência, violência ou incapacidade parental
Acolhimento de jovens na região ribatejana acompanha tendência nacional de redução e envelhecimento da população. Segundo dados do Relatório CASA 2024, o distrito de Santarém registava 274 crianças e jovens em acolhimento.
O número de crianças e jovens em situação de acolhimento na região ribatejana não tem sofrido alterações significativas e a sua evolução é o reflexo da tendência nacional, marcada por uma redução gradual dos estabelecimentos de acolhimento residenciais e por uma mudança no perfil da população acolhida. Em relação ao distrito de Santarém, e de acordo com os dados mais recentes do Relatório CASA 2024, há registo de 274 crianças e jovens em acolhimento, mantendo-se como uma região com peso moderado no contexto nacional, mas com desafios estruturais significativos.
Ao longo dos últimos anos, a região tem acompanhado o movimento de desinstitucionalização progressiva promovido pelas políticas públicas de protecção à infância. Tal como noutras regiões do país, há diminuição gradual do número global de crianças retiradas às famílias, mas ainda assim as instituições de acolhimento continuam a implementar medidas para dar mais qualidade de vida a quem está institucionalizado. É o caso da Fundação Luiza Andaluz, sediada em Santarém, que pretende criar uma Casa de Autonomização para Jovens que visa apoiar a transição para a vida adulta, promovendo a sua autonomia e integração social. Os jovens podem permanecer nesse tipo de resposta até aos 25 anos, desde que se encontrem integrados em percurso escolar e/ou formativo, promovendo-lhes um ambiente estável e seguro, que possa estimular o desenvolvimento e a aquisição de competências e aprendizagens. Na Fundação Luiza Andaluz, IPSS, - Casa de Acolhimento Residencial - vivem actualmente 26 crianças entre os 12 meses e 17 anos, acompanhadas por vinte colaboradoras e o apoio voluntário de outras pessoas.
A Casa do Pombal – A Mãe, em Aveiras de Cima, no concelho de Azambuja, é outro bom exemplo do trabalho realizado na nossa região. Responde a situações em que crianças foram retiradas às famílias por decisão judicial, acolhendo-as num ambiente seguro, com cuidados básicos, afectivos e formativos. A ideia nasceu do Padre António José de Barros Cardoso, cuja experiência de trabalho social e pastoral o levou a concretizar este espaço. A intenção foi criar um “porto de abrigo” onde estas crianças possam crescer num contexto mais estável, acolhedor e próximo de um ambiente de família, quando a família biológica falha.
Apesar da tendência positiva, em 2024 o distrito de Santarém registou dezenas de entradas por procedimento de urgência, sinalizando que persistem contextos familiares marcados por negligência, violência ou incapacidade parental que exigem intervenção imediata para salvaguarda dos direitos das crianças. Tal como O MIRANTE noticiou recentemente, a PSP retirou duas crianças em situação de perigo e negligência nos concelhos de Santarém e Tomar. Uma delas era um menor de oito anos que foi retirado à sua mãe, após serem detectadas condições de higiene consideradas precárias e susceptíveis de colocar em perigo iminente a saúde da criança. Já em Tomar, no dia 17 de Dezembro de 2025, a PSP foi chamada a intervir numa escola do 1.º ciclo da cidade, após ter sido sinalizada uma situação em que uma menor se encontrava acompanhada pela progenitora, que apresentava sinais evidentes de embriaguez.
Um dos problemas da região tem a ver com a escassez de famílias de acolhimento. Esta realidade continua a ser um constrangimento, limitando a possibilidade de oferecer respostas mais próximas do contexto familiar, especialmente para crianças mais novas. Enquanto os números apontam para uma estabilização, os profissionais alertam que a realidade por detrás das estatísticas continua a exigir investimento continuado, articulação entre entidades e políticas públicas que coloquem o superior interesse da criança no centro da intervenção.


