ABEI de Vila Franca de Xira sai do sufoco financeiro após acordo histórico com credores
Situação de asfixia financeira que durava há sete anos, herdada de uma gestão anterior, sofreu agora um novo desenvolvimento, com a instituição a conseguir um corte de dívida por parte de vários credores e um financiamento a 15 anos que promete colocar a ABEI no rumo da recuperação.
Em sete anos a dívida da ABEI - Associação para o Bem-Estar Infantil de Vila Franca de Xira, contraída entre os anos de 2008 e 2018, caiu de 4,5 milhões de euros a credores privados e ao Estado, para 2,5 milhões, revela a O MIRANTE o presidente da associação, Miguel Branco. No final do ano passado, a ABEI obteve luz verde para realizar um Processo Especial de Revitalização (PER), que permitiu abranger a negociação desses créditos de 4,5 milhões de euros, com recurso a um novo financiamento bancário. É o segundo PER que a instituição realiza. “No primeiro PER ficámos três anos a pagar só juros e tivemos um período de carência de capital de três anos. Entretanto conseguimos renegociar as dívidas com os nossos credores e conseguimos um corte da dívida entre os 50 e os 75%”, explica Miguel Branco. Com essas negociações a instituição ficou com uma dívida final de 2,5 milhões de euros, sobretudo ao Estado.
O plano agora aprovado assegura a liquidação integral e imediata dessas dívidas ao Estado, bem como a liquidação parcial e imediata das obrigações junto de entidades financeiras e outros credores. “Através de um financiamento que conseguimos do Crédito Agrícola de VFX e Arruda dos Vinhos pagámos tudo o que devíamos a estas entidades e ao dia de hoje já não devemos nada, excepto o financiamento bancário, que será pago em 15 anos com um juro muito mais adequado”, explica. Com esta operação, os encargos mensais financeiros da ABEI caem para metade e isso permite um balão de oxigénio que garantirá assegurar o pagamento de salários a tempo e horas, manutenção dos 230 postos de trabalho e até criar novas valências que permitam contratar mais trabalhadores. É um desfecho positivo depois de anos em que a instituição viveu debaixo da possibilidade de ter de cortar serviços por não conseguir pagar o que devia. “Esta foi a operação mais importante da década da ABEI e dá uma possibilidade de olhar para o futuro com outra capacidade e permite dignificar o nome e a história da instituição e dar a melhor qualidade aos nossos utentes e funcionários”, explica o dirigente.
Outro aspecto destacado pela instituição prende-se com a valorização dos recursos humanos. A revitalização terá impacto directo nos trabalhadores da instituição, cuja estabilidade e condições de trabalho foram assumidas como uma prioridade ao longo de todas as fases do processo, tendo o salário mais baixo pago na instituição subido para os 930 euros por mês. “Mas queremos no futuro continuar a aumentar as condições de trabalho dos nossos funcionários”, explica. O PER foi aprovado por 93,34% dos créditos definitivos, tendo 68,65% dos votantes expressado o seu voto favorável na assembleia realizada a 18 de Novembro de 2025. O Plano de Recuperação transitou em julgado a 22 de Dezembro de 2025, assinalando o encerramento de mais uma etapa de um processo que, para os dirigentes, tem sido exigente e complexo.


