Morreu António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, aos 88 anos
Chainho encerrou a carreira em 2024, afirmando estar “em paz” e satisfeito com o percurso artístico, que o levou a inovar na guitarra portuguesa e a criar música influenciada pelas muitas viagens e contactos com músicos do mundo inteiro.
António Chainho, considerado pela crítica o “mestre da guitarra portuguesa”, morreu na segunda-feira, 27 de Janeiro, em Alfragide, no dia em que completava 88 anos, anunciou o seu agente artístico. Natural de S. Francisco da Serra, Santiago do Cacém, Chainho iniciou a carreira musical na década de 1960, tocando em cafés e tabernas de Lisboa, e destacou-se durante o serviço militar, numa digressão por Moçambique. Em 1965, iniciou oficialmente a carreira artística no restaurante A Severa, no Bairro Alto. Com 60 anos de carreira, divididos em três fases, acompanhamento de fadistas, parceria com Carlos do Carmo e Frei Hermano da Câmara, e carreira a solo, Chainho percorreu o mundo e gravou discos que marcaram a guitarra portuguesa. Entre eles destacam-se “Guitarradas” (1975), “Guitarra e Outras Mulheres” (1998) e o derradeiro “O Abraço da Guitarra” (2024), álbum em homenagem a mestres e colegas músicos.
Ao longo da carreira colaborou com artistas como José Afonso, Gal Costa, Maria Bethânia, Paco de Lucía, Camané e Pedro Abrunhosa, e a revista britânica Songlines chamou-o de “embaixador da guitarra portuguesa”. Em 2022 foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, e em Santiago do Cacém concretizou o sonho de criar uma escola de guitarra portuguesa.


