“A NERSANT alienou o seu antigo pavilhão de exposições, mas as dificuldades financeiras não vão acabar tão depressa”
A venda do antigo Pavilhão de feiras da Nersant em Torres foi um bom negócio? Aparentemente não, a confiar nas críticas de um conjunto de empresários que ouvimos num almoço que juntou investidores da região. A mudança de presidente na direcção, com a saída voluntária de Pedroso Leal, que terá perdido a confiança de Domingos Chambel, continua a ser motivo para duvidar do futuro da associação. Mesmo assim os empresários que aceitaram falar do assunto puseram como condição não serem identificados para não serem acusados de quererem prejudicar a única associação empresarial da região que, para o mal e para o bem, sempre faz falta a uma região.
Como é que a NERSANT perde a confiança da Banca e é obrigada a vender património mesmo sabendo que, com esta venda, não resolve o seu problema?
Sendo a Nersant uma associação com Estatuto de Utilidade Pública, beneficiando de alguns privilégios, nomeadamente fiscais, deve ser questionada sobre algumas das suas decisões que, em especial, colocam em causa o seu património, como foi agora o caso da venda do Pavilhão de Exposições.
Sendo público que a Nersant alienou o seu Pavilhão de Exposições, em Torres Novas, para fazer face a necessidades de tesouraria, é oportuno questionar se foi a melhor solução. E a resposta é, claramente, não.
Há assim tantas alternativas que não seja vender até haver património?
A Nersant, para suprimir dificuldades, nomeadamente de tesouraria, podia ter seguido dois caminhos: alienar património ou recorrer a um financiamento de médio longo prazo (MLP), com hipoteca, como outras direcções o fizeram. A diferença é muita, como se irá demonstrar e o tempo irá dar provas.
Mas vamos ao momento presente
Na alienação do Pavilhão, a Nersant terá que entregar 30% do valor da venda, ao Município de Torres Novas, como consta do protocolo existente. Ou seja, com a alienação por valores a rondar os 1,9 milhões de euros, o Município terá direito a receber 570 mil euros. Restam 1,330 milhões de euros. Ainda no cumprimento do protocolo, do valor remanescente, 50% são da AIP, organismo que construiu o Pavilhão e liquidou o valor das obras, nos idos anos de 1990. Feitas todas estas sobram 665 mil euros, os quais estão sujeitos à taxa de 19%, de IRC. Chegados aqui a Nersant ainda tem que entregar 95 mil euros de impostos ao Estado. Poderão ser deduzidas despesas de manutenção incorridas, para usarmos um termo pouco comum, mas que se pode ajustar a uma conversa como a nossa. Assim, no final, ficam 570 mil euros. Isto resolve o problema de tesouraria da Nersant? É claro que não.
Continuamos a bater no ceguinho, mas ninguém diz como é que o podermos ajudar a sair do aperto
Se a Nersant tivesse optado por um financiamento de 1,5 milhões de euros, a 12 anos, ficaria com uma prestação mensal de 12.936€, respeitantes a amortizações e juros. Em termos de tesouraria, teria ficado com praticamente três vezes mais de encaixe de tesouraria, não teria que liquidar qualquer verba ao município e à AIP, mantinha o património e ficava com uma tesouraria robusta. Isto sim, teria sido uma boa decisão de gestão. O modelo seguido foi um prenúncio da liquidação do Património da Nersant, aliás, um prenúncio do que vai continuar a acontecer na Nersant depois de mais de 30 anos em que os seus dirigentes acumularam património.
Contas mal feitas ou simplificação da gestão?
A decisão de financiamento, com hipoteca, teria a vantagem de permitir à Nersant promover o aluguer do espaço a um player da distribuição ou outro, por uma verba superior ao do valor do pagamento da prestação do financiamento, como se presume que os novos proprietários estão a promover o espaço.
Quem está a gerir a Nersant não tem as competências suficientes para gerir uma associação?
Não é compreensível ter sido trilhada a pior solução, pois presume-se que a Nersant está a ser gerida por empresários/gestores, conhecedores das várias soluções. Seguiram o caminho mais fácil, numa decisão amadora de gestão o que se pode dizer que é imperdoável.
E porque é que os sócios da Nersant com responsabilidades como é o vosso caso preferem ficar no anonimato?
Os sócios da Nersant deveriam dar um cartão vermelho a esta direcção, por estar a gerir pessimamente o seu património, um legado com mais de 30 anos, bem como não permitir que existam mais vendas de património, pois já se percebeu que esta direcção não tem competência para a gerir e levar a Nersant a um bom porto. Mas tem razão, nós estamos acobardados porque a situação da Nersant é totalmente dominada por um empresário chamado Domingos Chambel, que aparentemente resolveu lutar contra tudo e contra todos, e só vê inimigos. A grande maioria dos empresários não precisa da Nersant. Neste momento, a Nersant é que precisa dos empresários. E quem é que quer, nesta altura em que há tanto para fazer nas nossas empresas, perder tempo a ensinar a ler e escrever o empresário e “ dono” da Nersant Domingos Chambel?.


