Sociedade | 31-01-2026 17:05
Acabou-se o autocarro gratuito entre Santarém e a estação ferroviária da cidade
O serviço MobiShuttle, contratado pela Câmara de Santarém à Rodoviária do Tejo para fazer a ligação directa entre a cidade e a estação ferroviária da Ribeira de Santarém, durou quase um ano. Agora, esse serviço passa a ser assegurado pelas Linhas Amarela e Vermelha dos transportes urbanos em Santarém. Vereador da oposição deixou críticas.
O MobiShuttle, serviço rodoviário gratuito em mini-autocarro entre Santarém e a estação ferroviária da cidade, na Ribeira de Santarém, passa a integrar as Linhas Amarela e Vermelha do serviço Scalabus a partir de segunda-feira, 2 de Fevereiro, reforçando a oferta de mobilidade urbana na cidade, informou a Câmara de Santarém em nota de imprensa. A medida é justificada pela “forte adesão por parte dos utilizadores”. A utilização desse serviço passa a ser regrada pelas tarifas em vigor da responsabilidade da Rodoviária do Tejo, aplicáveis aos transportes urbanos Scalabus, garantindo uma integração tarifária clara e transparente para todos os utilizadores, acrescenta a autarquia.
Com esta medida, a tomada e largada de passageiros passa a ser efectuada no terminal rodoviário de Santarém, facilitando a ligação entre diferentes modos de transporte e centralizando o serviço num local estratégico da cidade. A Linha Amarela (Scalabus 2) passa a assegurar a ligação directa entre o terminal rodoviário e a estação ferroviária da Ribeira, de segunda a sexta-feira, com diversos horários disponíveis.
Em complemento, a Scalabus dispõe ainda da Linha Vermelha (Scalabus 3), que assegura a ligação entre a estação da CP e a zona do Politécnico de Santarém, passando pelo terminal rodoviário. Até aqui, o MobiShuttle, um autocarro de 28 lugares que funcionava desde Março de 2025, procedia à tomada e largada de passageiros junto ao Campo Infante da Câmara, onde existe muito parqueamento automóvel. “Com a nova localização do serviço, os utilizadores passam a dispor de diversas opções de estacionamento na envolvente do terminal rodoviário, incluindo zonas de estacionamento gratuito, bem como parques privados, facilitando a combinação do transporte individual com o transporte público”, adianta a Câmara de Santarém.
“O sucesso do MobiShuttle levou a Rodoviária do Tejo a estruturar este serviço de forma mais integrada nos transportes urbanos, permitindo uma operação mais eficiente, com mais e melhores horários, maior previsibilidade e uma articulação reforçada com os restantes serviços da rede Scalabus”, conclui o município.
Pedro Ribeiro questiona racionalidade da decisão
Quem não perdeu tempo a criticar esta mudança foi o vereador socialista Pedro Ribeiro, que recordou as preocupações que manifestou aquando da implementação desse serviço, nomeadamente quanto à sua sustentabilidade, alertando para o facto de não constituir uma solução estrutural nem financeiramente viável a médio e longo prazo. Lembra que referiu na altura que o serviço implicava “um custo elevado”, da ordem dos 33.600 euros mais IVA, e que já existia uma ligação assegurada pela Rodoviária, com paragem em frente à estátua de Salgueiro Maia.
Após ter conhecimento da decisão tomada agora pela câmara, de suprimir esse serviço gratuito, Pedro Ribeiro sustenta que “não se verifica, na prática, um reforço da oferta de transportes”, referindo que “a ligação agora apresentada como reforço já existia anteriormente, tendo sido, entretanto, eliminado um serviço gratuito”.
Pedro Ribeiro acrescenta que “terão sido investidos cerca de 40 mil euros na contratação à Rodoviária para assegurar um serviço que já se encontrava disponível, o que levanta legítimas dúvidas quanto à racionalidade desta decisão. A coincidência temporal com o período pós-eleitoral merece, igualmente, reflexão”, critica o vereador socialista. E conclui dizendo ser “fundamental que estas situações sejam analisadas com transparência e responsabilidade” e que “a supressão de um serviço gratuito, a redução da oferta e a apresentação desta medida como uma melhoria não correspondem às expectativas dos munícipes”.
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