Sociedade | 01-02-2026 21:00

Ambiente avança, saúde falha: o paradoxo do distrito de Santarém

Ambiente avança, saúde falha: o paradoxo do distrito de Santarém
A falta de médicos de família continua a ser um problema transversal das populações da região - foto arquivo O MIRANTE

Distrito de Santarém continua a enfrentar dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, com menos médicos por habitante do que a média nacional, ao mesmo tempo que os municípios reforçam, de forma gradual, o investimento na área ambiental. Os dados mais recentes do INE revelam avanços pontuais, mas confirmam fragilidades estruturais.

Os últimos indicadores estatísticos sobre Saúde e Ambiente no distrito de Santarém pintam um quadro misto: embora haja alguns progressos em áreas como mortalidade infantil e investimento ambiental, a pressão sobre o sistema de saúde continua elevada e as dificuldades de acesso a cuidados básicos permanecem uma preocupação para os moradores. Segundo o relatório “Indicadores Sociais – Distrito de Santarém”, a taxa de médicos por habitante no distrito continua abaixo da média nacional, reflectindo a fragilidade na distribuição de recursos humanos na região. Esta realidade soma-se a um fenómeno que tem marcado todo o país: em Portugal há ainda mais de 1,6 milhões de pessoas sem médico de família atribuído, número que em 2025 subiu progressivamente, em parte devido à falta de especialistas disponíveis no Serviço Nacional de Saúde.
A escassez de médicos de família, sobretudo nos concelhos de interior e nas zonas rurais, compromete o acesso a cuidados de saúde primários, um pilar essencial para a prevenção e para o acompanhamento de doenças crónicas numa população envelhecida, como a de vários municípios do distrito. A nível nacional, Portugal continua a apresentar um elevado número de médicos por mil habitantes, cerca de 5,8 médicos por mil habitantes, acima da média da OCDE. No que toca a resultados de saúde, o distrito mostra alguns indicadores positivos, como a mortalidade infantil baixa, que se alinha com os melhores valores nacionais.
Nos investimentos municipais em ambiente, o relatório do INE indica que Santarém tem registado crescimento gradual nas despesas por habitante em áreas ambientais, incluindo gestão de resíduos, saneamento e espaços verdes. Embora os valores ainda estejam modestos quando comparados com alguns distritos do litoral, há uma tendência clara de reforço das políticas ambientais, espelhando preocupações municipais com a sustentabilidade e a qualidade de vida das populações. Estas políticas representam não só um melhor ambiente urbano e rural, mas também um contributo para a saúde pública a longo prazo, ao reduzir exposições a poluentes e promover estilos de vida mais saudáveis.

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