Sociedade | 02-02-2026 10:00

Animais em sofrimento e vizinhança ameaçada: caso arrasta-se há meses em Vale de Figueira

cao caes

Animais vivem em situação degradante numa moradia em Vale de Figueira. Autarcas locais e moradores têm denunciado o caso, mas as autoridades aguardam há meses decisão do tribunal para entrar na habitação. Vizinhança tem sido ameaçada e uma pessoa foi esfaqueada.

Alguns moradores denunciaram e estão preocupados com o bem-estar animal e o que consideram ser um caso de saúde pública e negligência humana para com cerca de uma dezena de cães que habitam numa moradia, na Rua Dr. Vítor Semedo, em Vale de Figueira, concelho de Santarém. Os animais estarão a viver em condições insalubres, mas apesar das várias queixas da população e autarcas da freguesia a situação não se resolve.
“Agora são uns nove ou dez animais mas chegaram a lá estar 15 cães e 14 gatos”, refere uma moradora a O MIRANTE que garante já ter alertado a Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR) e o Centro de Recolha Oficial de Animais de Santarém para o problema que considera tratar-se de um caso “grave” de insalubridade. “Havia de lá ir a delegada de saúde e alguém ligado ao canil para ver as condições em que estão a viver aqueles animais”, sublinha, pedindo para não ser identificada com receio de represálias.
Segundo quem já lá entrou, há lixo e dejectos de animais por toda a parte - comprovado através de fotografias às quais o nosso jornal teve acesso mas que não divulga por se tratar de uma residência particular -, uma praga de pulgas e um cheiro nauseabundo. Uma das vizinhas mais afectadas relata ao nosso jornal que há muito que deixou de conseguir utilizar o exterior da sua moradia para fazer refeições devido aos maus cheiros. Os animais são mantidos no quintal traseiro, mas também frequentam o interior da habitação que não dispõe de água canalizada na casa-de-banho. Já aconteceu, relata outra moradora, os animais ficarem vários dias sem comer, tendo ficado apenas a mangueira com água a correr para que “não morressem à sede”.

Autoridades aguardam decisão judicial
O caso já foi assunto na assembleia de freguesia e reportado também ao Serviço de Sanidade e Higiene Pública Veterinária da Câmara de Santarém. Em resposta a uma das denúncias feitas por moradores, que remonta a Junho último e à qual O MIRANTE teve acesso, a veterinária municipal refere que foi efectuada uma visita em conjunto com o SEPNA e que “não foi possível entrar na habitação, mas pelo que foi possível observar do exterior, foi elaborado um relatório” remetido ao SEPNA e à Unidade de Saúde Pública da Lezíria que, por sua vez o remeteram ao tribunal para que este dê “ordem de entrada na habitação”.
Questionado por O MIRANTE, o vice-presidente da Câmara de Santarém, responsável pelo pelouro da Protecção Animal, Higiene Pública e Veterinária, Emanuel Campos, confirma que foi efectuada uma deslocação à habitação por parte dos serviços na sequência de uma denúncia por insalubridade e suspeita de maus-tratos a animais. Embora não se tenha conseguido entrar na habitação, referiu, foi possível observar através das janelas “condições graves de insalubridade, fezes, odores intensos e nauseabundos” e “verificar a presença de animais através de latidos”.
“Neste momento está em agendamento uma nova ida ao local com o objectivo de salvaguardar a saúde e bem-estar dos animais”, adiantou o vice-presidente. Na primeira deslocação, face à impossibilidade de entrada na habitação, foi levantado um auto de notícia pela GNR.

Vizinhos ameaçados e um esfaqueado
A casa está a ser actualmente habitada por uma mulher, a responsável pelos animais, mas há alturas em que tem mais moradores. Em Dezembro último, um jovem de 19 anos, que estava a habitar nessa casa juntamente com a namorada, envolveu-se em vários desacatos que obrigaram à intervenção da GNR. Um dos quais motivado pela fuga dos animais para um terreno vizinho. “As galinhas foram atacadas e o dono, um idoso, queixou-se, mas foi ameaçado com uma faca”, relata ao nosso jornal uma moradora. O mesmo jovem acabou, a 20 de Dezembro, por esfaquear um indivíduo num posto de combustível perto da moradia. A GNR tomou conta da ocorrência mas, ao que se sabe, desde essa data que o suspeito não voltou a Vale de Figueira.

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