Sociedade | 04-02-2026 13:02

Operação Marquês: ex-presidente da Câmara do Cartaxo admite pagamentos de 25 mil euros por mês

Operação Marquês: ex-presidente da Câmara do Cartaxo admite pagamentos de 25 mil euros por mês

José Conde Rodrigues, que foi secretário de Estado e presidente da Câmara do Cartaxo na década de 90, diz que prestou consultoria baseada em fontes abertas e transmitida verbalmente a Carlos Santos Silva após sair do Governo de José Sócrates.

O antigo secretário de Estado, José Conde Rodrigues, que foi presidente da Câmara do Cartaxo na década de 90, afirmou em tribunal que recebeu 25 mil euros mensais por serviços de consultoria prestados ao arguido Carlos Santos Silva, garantindo que a informação transmitida era recolhida em fontes abertas e comunicada apenas de forma verbal, sobretudo em encontros informais. Chamado a testemunhar no julgamento da Operação Marquês, que decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa, José Conde Rodrigues explicou que só conheceu Carlos Santos Silva depois de ter abandonado funções governativas, afastando qualquer ligação contratual enquanto integrou os executivos liderados por José Sócrates.
Segundo o ex-governante e ex-autarca, o contacto surgiu por intermédio de um amigo comum, antigo colega de Santos Silva no Instituto Superior Técnico. Durante essas conversas, Carlos Santos Silva terá manifestado interesse em investir no estrangeiro, nomeadamente na Venezuela, o que levou à celebração de um contrato de consultoria no valor de 25 mil euros por mês, celebrado entre a sociedade XMI e José Conde Rodrigues. De acordo com a acusação do Ministério Público, o antigo secretário de Estado recebeu 161 mil euros através de dois contratos celebrados com a XMI, um relacionado com informações sobre a Venezuela e outro sobre Marrocos. A acusação sustenta ainda que os alegados serviços foram prestados sem produção de relatórios escritos, sendo a informação transmitida verbalmente durante reuniões e almoços.
Em tribunal, José Conde Rodrigues confirmou que nunca lhe foram pedidos relatórios formais, reiterando que os dados partilhados resultavam de pesquisa em fontes públicas e eram comunicados presencialmente. O principal arguido do processo é o ex-primeiro-ministro José Sócrates, de 68 anos, pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, por alegadamente ter recebido dinheiro para beneficiar o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o empreendimento algarvio Vale do Lobo. O processo envolve 21 arguidos, que negam, em geral, a prática dos 117 crimes económico-financeiros imputados pelo Ministério Público. Os factos terão ocorrido entre 2005 e 2014, podendo alguns dos crimes mais antigos prescrever no primeiro semestre deste ano. O julgamento começou a 3 de Julho de 2025 e tem sessões agendadas, pelo menos, até 15 de Julho de 2026.

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