Kristin arrasa infraestruturas, isola populações e provoca o caos no distrito de Santarém
A passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição em vários concelhos do distrito de Santarém, com danos significativos em infraestruturas eléctricas e de comunicações, rede viária, habitações, equipamentos públicos e explorações agrícolas, levando vários municípios a pedir ao Governo a declaração do estado de calamidade.
A passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição nos 21 concelhos do distrito de Santarém, com danos generalizados em infraestruturas essenciais, populações isoladas e prejuízos significativos em habitações, equipamentos públicos e actividades económicas. Durante vários dias, milhares de pessoas enfrentaram falhas prolongadas no fornecimento de electricidade e comunicações, estradas cortadas e dificuldades no acesso a serviços básicos.
De acordo com dados da Protecção Civil e informações oficiais dos municípios, terão sido registadas entre 650 e 850 ocorrências em todo o distrito, com impacto transversal nas sub-regiões da Lezíria do Tejo e do Médio Tejo. Na Lezíria do Tejo, estima-se que tenham ocorrido entre 380 e 500 ocorrências, sobretudo relacionadas com quedas de árvores, danos em telhados, infraestruturas eléctricas e cortes na rede viária. No concelho de Santarém foram registadas cerca de 100 ocorrências, levando à activação do Plano Distrital de Emergência. Concelhos como Chamusca, Coruche, Golegã, Salvaterra de Magos, Alpiarça e Cartaxo registaram igualmente múltiplos constrangimentos, afectando zonas urbanas e rurais. A agricultura foi um dos sectores mais penalizados, com estufas destruídas, culturas danificadas e sistemas de rega comprometidos.
No Médio Tejo foram contabilizadas cerca de 610 ocorrências, levando oito dos 11 municípios a activar os respectivos planos municipais de emergência. Ourém, Tomar, Ferreira do Zêzere, Abrantes, Mação e Torres Novas estiveram entre os concelhos mais afectados, com quedas massivas de árvores, estradas intransitáveis, danos em postes de média e alta tensão e interrupções prolongadas no fornecimento de energia e comunicações. Em Mação registaram-se pelo menos dois desalojados, com várias aldeias isoladas durante horas ou dias.
Em praticamente todo o distrito foram registados cortes em estradas municipais, nacionais e caminhos rurais, exigindo a intervenção contínua de bombeiros, GNR, sapadores florestais e serviços municipais. Escolas, pavilhões e outros equipamentos públicos sofreram danos que obrigaram à suspensão de actividades. Perante a dimensão dos prejuízos, várias autarquias reconheceram que os estragos ultrapassam a capacidade de resposta municipal, estando em curso levantamentos exaustivos dos danos e pedidos de apoio excepcional ao Governo.
Ferreira do Zêzere com 85% das casas e 95% dos edifícios públicos afectados
A tempestade Kristin atravessou Ferreira do Zêzere, arrancando árvores centenárias, destruindo habitações e paralisando praticamente todo o concelho. Dias depois do temporal, o impacto continua bem visível: cerca de 85% das habitações foram afectadas, 95% dos edifícios públicos registam danos, todas as escolas do concelho sofreram prejuízos e 100% das infraestruturas eléctricas foram atingidas. Leonardo Francisco, antigo bombeiro com formação em protecção civil, descreve uma noite de terror em que telhas voavam, postes cediam e “nada ficou de pé” no terreno da família. Mais do que os danos materiais, alerta para o isolamento de aldeias inteiras, onde idosos ficaram dias sem luz, água ou comunicações.
O presidente da câmara, Bruno Gomes, aponta para prejuízos que poderão ascender a várias centenas de milhões de euros, abrangendo vias, infraestruturas públicas, indústria e floresta. Apesar da mobilização de bombeiros, militares e voluntários, o autarca considera que a resposta do Estado foi lenta face à dimensão da ocorrência, alertando que a recuperação poderá demorar anos.
Turismo do Centro cria formulário para apurar prejuízos
A Turismo Centro de Portugal vai disponibilizar, nos próximos dias, um formulário online destinado ao levantamento dos prejuízos causados pela depressão Kristin, permitindo a municípios e empresários reportar perdas materiais e necessidades urgentes, numa região duramente atingida pelo mau tempo. Em comunicado, a Turismo Centro de Portugal explica que a informação recolhida servirá de base a contactos com a tutela, entidades e parceiros regionais, com o objectivo de encontrar “medidas rápidas e eficazes de apoio aos territórios atingidos”. Perante a gravidade da situação, a entidade apela ainda aos turistas e visitantes para que sigam rigorosamente as indicações das autoridades, evitem deslocações desnecessárias às zonas afectadas e adoptem comportamentos responsáveis, contribuindo para a segurança colectiva.


