Padeiro paquistanês saiu de madrugada para trabalhar e foi morto pela tempestade
Os avisos da meteorologia aconselhavam as pessoas a ficar em casa mas há profissões essenciais que não podem parar. Um imigrante paquistanês, de 40 anos, ainda levava na carrinha os sacos de pão quente que tinha tirado do forno e ajudado a embalar em Arruda dos Vinhos para deixar nos clientes quando acabou atingido fatalmente por uma árvore.
O padeiro de 40 anos, imigrante paquistanês, que foi a primeira vítima mortal da depressão Kristin em Portugal, tentou evitar a queda da árvore que o viria a matar na Estrada Nacional 1, em Vila Franca de Xira, junto ao posto de combustível de Povos. As marcas da travagem brusca no pavimento, bem como a posição final do veículo após o acidente, revelam que o condutor terá visto o que se passou momentos antes do acidente, travando e tentando desviar-se, embora a velocidade com que a árvore se abateu sobre o automóvel acabasse por tornar o acidente inevitável. Teve morte imediata.
A O MIRANTE o comandante dos bombeiros de Vila Franca de Xira, Paulo Carolino, confirma que a carrinha estava com vários sacos de pão embalado que estavam a ser distribuídos por clientes da zona. A vítima, apurou O MIRANTE, residia e trabalhava numa empresa de panificação na zona norte do concelho de Arruda dos Vinhos. Terá começado o seu turno pouco antes da meia-noite e, como habitualmente, embalava o pão ainda quente para depois o distribuir pela madrugada numa ronda por vários clientes da região, incluindo no concelho de Vila Franca de Xira e Alenquer. O acidente foi tratado pela divisão de trânsito da PSP de Lisboa.
Segundo o Inventário Municipal do Arvoredo em meio urbano da Câmara de Vila Franca de Xira, onde constam as mais de 31 mil árvores do concelho, a árvore que matou o trabalhador foi uma Olaia que estava classificada como estando em bom estado fitosanitário.
Na reunião de câmara de segunda-feira foi feito um minuto de silêncio em memória da vítima e todos os autarcas prestaram condolências à sua família e amigos.
Danos por toda a região
No concelho de VFX tinham sido contabilizados, até 2 de Fevereiro, 182 ocorrências, incluindo mais de 88 quedas de árvores, 16 quedas de estruturas temporárias, 4 deslizamentos de terras, 17 danos em redes de abastecimento (electricidade/gás/comunicações), 7 inundações, 7 quedas de elementos de construção e 1 incêndio em equipamento. Verificam-se também danos em vários edifícios. No concelho de Arruda dos Vinhos foram registadas vinte ocorrências, na sua grande maioria quedas de árvores e levantamento de coberturas, como chapas e telhas. O principal constrangimento no concelho tem sido as falhas no fornecimento de energia eléctrica, sobretudo nas localidades mais dispersas do concelho. No vizinho concelho de Alenquer a tempestade causou 35 ocorrências, como quedas de árvores, cortes de energia, deslizamento de terras, estradas cortadas e viaturas afectadas. Até 30 de Janeiro eram várias as localidades e habitações sem energia eléctrica.
Já no concelho de Benavente registaram-se árvores derrubadas, estradas cortadas, falhas no fornecimento de energia eléctrica e prejuízos em infra-estruturas desportivas, que obrigaram à mobilização de vários meios de socorro, da autarquia e das juntas de freguesia. O impacto da intempérie era visível em diversos pontos do concelho, com especial incidência em Samora Correia, onde várias árvores foram derrubadas em espaços verdes como o Parque Ruy Luís Gomes e o Jardim da Lezíria. Situação semelhante verificou-se no Porto Alto, com postes de sinalização de trânsito arrancados pela força do vento. No Porto Alto, os estragos provocados pelo mau tempo obrigaram a Associação Recreativa do Porto Alto a encerrar temporariamente a secretaria instalada no Parque de Jogos Acílio Rocha.
Em Samora Correia, o mau tempo causou igualmente danos significativos no Complexo Desportivo da Murteira. O Grupo Desportivo de Samora Correia lamentou que a destruição provocada pelo temporal tenha atingido uma zona recentemente intervencionada, fruto de “muito esforço e trabalho”.
Por fim, em Azambuja, a passagem da depressão deixou um rasto de destruição, sobretudo devido à queda de árvores e de estruturas em várias localidades. Houve estradas interditadas, como foi o caso das que dão acesso à Quinta de Vale de Fornos e ao Complexo de Piscinas de Azambuja que esteve encerrado por questões de segurança e falta de energia eléctrica, situação que também afectou várias localidades.
Municípios da Lezíria mobilizam meios de apoio a Ourém e Ferreira do Zêzere
Na sequência do Estado de Calamidade decretado devido aos impactos da recente tempestade, a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), em articulação com o ICNF, mobilizou meios operacionais para apoiar os concelhos de Ourém e Ferreira do Zêzere, ambos fortemente afectados pelo mau tempo.
No âmbito deste apoio intermunicipal, foram disponibilizados dois Veículos Ligeiros de Combate a Incêndios (VLCI) da Brigada de Sapadores da Lezíria do Tejo, envolvendo um total de 10 operacionais, com o objectivo de reforçar a capacidade de resposta no terreno. Paralelamente, Santarém disponibilizou três geradores eléctricos ao concelho de Ourém, enquanto o Chamusca assegurou a cedência de um gerador para Ferreira do Zêzere, contribuindo para minimizar os constrangimentos causados pelas falhas de energia registadas em várias localidades. Estas acções inserem-se numa estratégia de cooperação intermunicipal, visando garantir apoio rápido e eficaz às populações e aos serviços essenciais nos territórios mais afectados pela intempérie.


