Ponte da Escusa cai no Sorraia e nova travessia sem financiamento
A derrocada da Ponte da Escusa, já interditada ao trânsito desde 2022 por problemas estruturais, veio confirmar a necessidade de construir uma nova travessia para encurtar os desvios diários feitos pelas populações da Erra ou da Texugueira, no concelho de Coruche, mas continua a não haver financiamento para uma solução definitiva.
O tabuleiro da Ponte da Escusa, no concelho de Coruche, ruiu quase na totalidade no dia 29 de Janeiro na sequência da passagem da depressão Kristin. O comandante sub-regional da Protecção Civil da Lezíria do Tejo, Rodrigo Bertelo, indicou ter recebido a informação do Serviço Municipal de Protecção Civil de Coruche de que o tabuleiro, que já estava encerrado, abateu e caiu ao rio. A circulação na Ponte da Escusa encontrava-se interrompida “há muito tempo”, sendo o trânsito desviado por uma passagem alternativa que, nos últimos dias, ficou submersa devido à subida do caudal do rio Sorraia. O MIRANTE esteve no local no dia 7 de Janeiro, quando a travessia alternativa ainda permitia a passagem entre as duas margens.
A Ponte da Escusa ligava a freguesia do Couço a zonas como a Erra e a Texugueira, no concelho de Coruche, mas estava encerrada há mais de três anos, obrigando as populações a percorrer desvios superiores a 50 quilómetros, muitas vezes por caminhos em mau estado.
A indefinição quanto à entidade responsável pela infraestrutura tem sido uma das principais críticas apontadas pelos moradores para o arrastar da situação. Inicialmente, a Câmara de Coruche remeteu a responsabilidade para a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia e, por sua vez, esta entidade referiu que a infraestrutura não é da sua responsabilidade, encontrando-se integrada no caminho municipal CM1436, remetendo qualquer esclarecimento para a autarquia.
A Câmara de Coruche afirmou na semana passada que a titularidade da ponte “tem sido objecto de análise técnica e administrativa” e que, apesar das conversações mantidas com a ARBVS e com a administração central, “não foi possível, até ao momento, apurar de forma conclusiva as responsabilidades legais associadas à ponte”. O município recordou ainda que, após o encerramento da travessia em 2022 devido a “anomalias estruturais”, foram adoptadas medidas como a criação de percursos alternativos, acções de monitorização, reforço da sinalização e intervenções pontuais nos caminhos de acesso.
Segundo a autarquia, como O MIRANTE havia avançado em Janeiro, será agora elaborado um projecto técnico para a construção de uma nova travessia sobre o Sorraia, destinado a substituir a ponte que ruiu, estando a conclusão prevista para o Verão, seguindo-se o lançamento do concurso público para a empreitada. No entanto, tal como já havia sublinhado, a Câmara de Coruche reconhece que “não foi encontrado até agora qualquer tipo de financiamento” para a obra.
A passagem alternativa criada após o fecho da ponte está frequentemente submersa e vulnerável ao caudal do rio Sorraia, e os moradores que residem nas imediações reconhecem que, sem ponte e sem alternativa viável, demoram quase duas horas para percorrer um trajecto que antes levava cinco minutos. “Os caminhos alternativos são de terra batida, sem condições de segurança, provocam danos nos carros e aumentam os custos de combustível”, lamentou um residente.
PCP acusa Câmara de Coruche de negligência
A Comissão de Freguesia do Couço do PCP acusa a Câmara de Coruche de “irresponsabilidade e negligência” na sequência da derrocada da Ponte da Escusa, ocorrida a 29 de Janeiro, após nova cheia do rio Sorraia. Em nota de imprensa, os comunistas recordam que a construção de uma nova travessia foi anunciada em 2023, na sequência de um primeiro incidente grave registado em Dezembro de 2022, sublinhando que, dois anos depois, a obra continua por concretizar, apesar das sucessivas garantias públicas.
A Comissão de Freguesia do Couço considera a Ponte da Escusa uma infraestrutura “absolutamente essencial” para a mobilidade, a segurança e o desenvolvimento económico e social da freguesia e do concelho, alertando para os prejuízos acumulados pela população devido à degradação prolongada da travessia. O PCP do Couço exige medidas imediatas para desbloquear o processo e iniciar a construção da nova ponte.


