Quando a tempestade passa fica o retrato da falta de prevenção
A depressão Kristin foi um fenómeno meteorológico severo, mas também foi mais uma prova da fragilidade estrutural do território e da falta crónica de prevenção.
A depressão Kristin foi um fenómeno meteorológico severo, mas também foi mais uma prova da fragilidade estrutural do território e da falta crónica de prevenção. Sempre que o vento sopra com mais força, o cenário repete-se: árvores caídas, estradas bloqueadas, postes derrubados, cortes de electricidade e comunicações, populações isoladas e prejuízos elevados. Não se trata de negar a brutalidade e excepcionalidade do fenómeno, mas de reconhecer que muito do que caiu já estava frágil. Após cada temporal, repete-se o mesmo guião: elogiam-se os operacionais, mobilizam-se meios de emergência, anunciam-se apoios e promete-se avaliar. O que raramente se faz é prevenir. A prevenção é cara, pouco visível e politicamente ingrata.
O abandono do mundo rural agrava o problema. Florestas sem gestão, terrenos ao abandono e linhas eléctricas a atravessar zonas florestais criam as condições perfeitas para que qualquer episódio extremo se transforme numa crise. Falar em imprevisibilidade quando estes fenómenos se repetem é, no mínimo, cómodo. Contabilizar prejuízos não chega. É urgente mudar o paradigma, investir seriamente na prevenção, na gestão do território e na resiliência das infraestruturas. Caso contrário, quando a próxima tempestade chegar, encontrará o mesmo território despreparado.


