População de Casal Novo sem luz, água e comunicações durante vários dias
Passagem da Tempestade Kristin transformou a aldeia de Casal Novo, na freguesia de Atouguia, concelho de Ourém, num retrato de isolamento e abandono: quase 150 habitantes, muitos deles idosos, passaram vários dias sem electricidade, comunicações e, em alguns casos, sem água.
A passagem da tempestade Kristin deixou a aldeia de Casal Novo, na freguesia de Atouguia, concelho de Ourém, praticamente isolada durante vários dias, sem electricidade, comunicações e, em alguns casos, sem abastecimento de água. Quase 48 horas após o temporal que atingiu o país na madrugada de quarta-feira, 28 de Janeiro, a população continuava sem informações sobre o restabelecimento dos serviços, vivendo um sentimento generalizado de abandono.
Na aldeia residem cerca de 148 habitantes, muitos deles idosos, obrigados a passar dias e noites à luz das velas, sem possibilidade de contactar familiares ou pedir ajuda. O MIRANTE esteve no local e ouviu moradores que relataram dificuldades extremas, medo e prejuízos materiais significativos. Maria Gomes, de 81 anos, e o marido Joaquim Gomes, de 82, regressaram apressadamente de França após serem alertados para os estragos causados pela tempestade. À chegada, encontraram a sua casa sem electricidade, água e comunicações, uma vez que o sistema de captação depende de energia eléctrica. “Estamos sem luz, sem água e sem comunicações. Tenho de ir buscar água a uma torneira pública”, contou a moradora, lamentando a falta de apoio e de informação. O fogão a gás permitiu confeccionar algumas refeições, mas as noites tornaram-se longas e penosas. O casal refere ainda constrangimentos fora da aldeia, com serviços encerrados e longas esperas, como aconteceu num posto de combustível em Ourém.
Deolinda Santos, 61 anos, viveu momentos de grande aflição durante a madrugada da tempestade. Uma segunda habitação da família ficou praticamente destruída, com o colapso do telhado e das vigas. “O telhado foi todo e algumas galinhas morreram no meio dos destroços”, relatou. Sem comunicações, passou vários dias sem conseguir falar com os filhos, enfrentando as noites sozinha, à luz das velas. A falta de electricidade provocou ainda perdas avultadas de alimentos armazenados em arcas frigoríficas.
Também Sofia Alves, 46 anos, recorda o medo vivido durante a tempestade. “Ouvíamos o vento a soprar e as portas a bater. O medo era tão grande que não havia sono”, afirmou. Para evitar mais prejuízos, a família recorreu a um gerador emprestado, apesar das perdas de alimentos. A moradora sublinha que não tem memória de uma situação semelhante em Casal Novo e refere que, até à visita de O MIRANTE, não tinha visto qualquer responsável no local.


