Alcanena vira a página dos curtumes e projecta sector para o futuro
APIC reuniu empresas, designers e entidades públicas para mostrar o presente da indústria do couro e discutir inovação, sustentabilidade e internacionalização.
A indústria dos curtumes saiu à rua em Alcanena no dia 29 de Janeiro, numa iniciativa promovida pela Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC), que deu a conhecer o funcionamento do sector e promoveu uma reflexão alargada sobre os desafios e o futuro da fileira do couro. O programa incluiu uma visita técnica a infraestruturas industriais durante a manhã e a sessão de encerramento do projecto In-Leathers, realizada à tarde no Museu Municipal de Alcanena. A iniciativa contou com representantes de várias entidades, como a AICEP, ASAE, Compete 2030, Deco Proteste, IAPMEI, Instituto Português da Qualidade, Agência Nacional de Inovação e a DGAV.
O projecto In-Leathers teve como principal objectivo reforçar a internacionalização e a capacidade exportadora das empresas portuguesas da indústria de curtumes, apostando na inovação, sustentabilidade, economia circular e transição digital. Este foi o 11.º projecto de internacionalização promovido pela APIC, envolvendo 22 empresas, com presença em 15 feiras internacionais, num total de 115 participações, abrangendo mercados como Espanha, França, Itália e China.
No balanço final, Gonçalo Santos, técnico de projectos da APIC, destacou que as empresas envolvidas reforçaram a sua visibilidade internacional, consolidaram redes de contacto, exploraram novos mercados e aprofundaram competências nas áreas da comunicação, do design, da sustentabilidade e da transição digital. O responsável considerou o In-Leathers uma ferramenta estruturante para a competitividade do sector, “num contexto global cada vez mais exigente”, embora tenha reconhecido que persistem desafios, nomeadamente ao nível da maturidade digital das empresas e da necessidade de investimento contínuo em design, inovação e sustentabilidade.
A sessão integrou ainda intervenções sobre gestão de marcas, imagem e transição digital, com o designer da Agência de Publicidade UP, Nuno Teodoro, e o coordenador do projecto, João Carvalho, a sublinharem que a marca continua a ser um factor determinante de credibilidade, defendendo um maior investimento na comunicação, sobretudo num sector fortemente ligado à moda. Seguiu-se uma mesa-redonda dedicada ao futuro e à internacionalização da indústria, onde foram debatidos temas como a captação de novos mercados, a importância das redes comerciais locais e a sustentabilidade ambiental, sendo defendida a continuidade de projectos colaborativos com apoio nacional e europeu.
O evento incluiu ainda uma acção de contacto directo com a realidade da indústria dos curtumes, dirigida a representantes de várias entidades que, segundo a APIC, nem sempre têm conhecimento do funcionamento do sector. O percurso passou pelo CTIC - Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, que apoia as empresas do sector dos curtumes e do calçado, sobretudo na inovação, qualidade e sustentabilidade, seguindo-se pela Fábrica de Curtumes Ibéria e pelo chamado Sistema de Alcanena, que integra o sistema de reciclagem de crómio (SIRECRO), os aterros e a ETAR.
Sobre a melhoria das práticas ambientais, o vice-presidente da Câmara de Alcanena e presidente do conselho de administração da Aquanena, Nuno Silva, revelou que estão em curso novos estudos e ensaios de secagem de lamas com elevados níveis de matéria seca, solução que poderá permitir a sua utilização noutros processos industriais e reduzir o recurso a aterros. Referiu ainda projectos europeus em desenvolvimento, focados em soluções de base natural, investigação científica e cooperação internacional com universidades e centros de conhecimento.


