Sociedade | 09-02-2026 10:00

Tejo Ambiente criticada por falhas graves e tarifas “escandalosamente altas” em Tomar

Tejo Ambiente criticada por falhas graves e tarifas “escandalosamente altas” em Tomar

Munícipe foi à reunião de câmara de Tomar acusar a Tejo Ambiente de praticar tarifas excessivas, denunciando ainda problemas no abastecimento de água. Presidente da autarquia e director da empresa intermunicipal responderam.

António Cúrdia, munícipe de Tomar e antigo responsável financeiro da câmara municipal entre 2014 e 2022, interveio na recente reunião do executivo, realizada em Cem Soldos, para denunciar o que considera serem graves problemas no abastecimento de água e tarifas excessivas praticadas pela Tejo Ambiente. Falando “como consumidor, contribuinte e tomarense”, António Cúrdia afirmou que, nos últimos cinco anos, registaram-se cerca de 500 avarias na rede de água, algumas de grande dimensão, que provocaram cortes no abastecimento, reparações muito dispendiosas e prejuízos directos para a população.
O munícipe apresentou uma análise comparativa dos tarifários de 2025, defendendo que Tomar e os municípios integrados na Tejo Ambiente praticam valores superiores aos concelhos vizinhos. Segundo António Cúrdia, Tomar apresenta a tarifa fixa mais elevada, bem como os preços mais altos nos escalões de consumo mais comuns, entre os 5 e os 25 metros cúbicos. Acrescentou ainda que as autarquias pagam valores muito acima da média nacional, estimando que o custo seja cerca de 200% superior ao praticado noutros municípios.
Na mesma intervenção, referiu que a água vendida ao comércio, indústria, Estado e instituições sociais continua também a ser a mais cara dentro do conjunto de concelhos analisados. Mesmo quando comparados com grandes cidades nacionais e europeias, os tarifários da Tejo Ambiente continuam, no seu entender, entre os mais elevados. António Cúrdia considerou ainda que Tomar é o concelho mais prejudicado no actual modelo intermunicipal.

Câmara reconhece problemas, mas aponta investimento
O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), reconheceu falhas no abastecimento de água, mas sublinhou que o número de avarias tem vindo a diminuir, passando de 835 em 2020 para cerca de 600 em 2025, fruto de um investimento de quase 10 milhões de euros nas redes do concelho. O autarca destacou ainda que mais de 60% da rede de abastecimento tem mais de 40 anos, o que contribui para as roturas, defendendo que a integração num sistema como a Tejo Ambiente é essencial para garantir os investimentos necessários. Para 2026, estão previstos cerca de três milhões de euros em investimentos em água e saneamento no concelho.
Já o director executivo da Tejo Ambiente, José Santos, que também marcou presença na sessão camarária, afirmou que a comparação directa de tarifários entre municípios pode ser enganadora, uma vez que muitos concelhos subsidiam o preço da água com recursos públicos, algo que, segundo o responsável, não acontece na Tejo Ambiente desde 2022. José Santos explicou que a empresa depende essencialmente das tarifas, de fundos comunitários e de contribuições municipais, acrescentando que para resolver os problemas estruturais da rede em Tomar são necessários cerca de 17 milhões de euros de investimento. O responsável admitiu que o serviço prestado apresenta deficiências graves, mas garantiu que a Tejo Ambiente está a procurar soluções financeiras para iniciar uma intervenção profunda na rede.

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