Sociedade | 10-02-2026 10:00

Investir em segurança é investir na qualidade de vida das pessoas

Investir em segurança é investir na qualidade de vida das pessoas
Apresentação da obra de Bruno Pereira juntou responsáveis políticos e forças de segurança para debater desafios da segurança pública - foto DR

Bruno Pereira volta a falar do futuro da PSP a propósito de “Segurança, Várias Opiniões, uma Causa”, livro que reúne quase uma centena de crónicas publicadas ao longo dos últimos dois anos.

Bruno Pereira, comandante da Divisão da PSP de Vila Franca de Xira, falou da oportunidade da publicação do seu livro “Segurança, várias opiniões, uma causa”, lembrando que “investir em segurança é sempre investir nas pessoas”. Por isso é que é importante descentralizar, afirmou durante a apresentação do livro na Casa da Cidadania, no Barreiro. “O trabalho da polícia vai muito para além daquilo que é visível, nomeadamente quando é preciso ajudar no combate a incêndios, uso de drones, catástrofes naturais, entre muitas outras situações de risco. Nesta altura as forças policiais têm uma grande dificuldade de recrutamento, e para agravar a situação há muita gente a querer sair para profissões diferentes”, criticou, ainda na presença do secretário de Estado da Administração Interna que, entretanto, abandonou a sessão provavelmente por ter outros compromissos.
Bruno Pereira falou para uma assistência maioritariamente composta por autarcas, agentes das autoridades, incluindo Protecção Civil, da necessidade de repensar os horários de funcionamento das esquadras, os horários de abertura ao público, de forma a não dificultar ainda mais a gestão daquilo que já é muito difícil de gerir.
O combate à burocracia foi outro dos temas que aproveitou para levantar ainda na presença do secretário de Estado, lembrando que há concursos públicos que demoram anos e anos a serem aprovados. Referiu o caso da aprovação pelo Governo, em 2021, da compra de 8.000 bodycams para as forças de segurança, cuja aprovação orçamental só foi publicada na passada semana. “Estes processos são kafkianos, assim como muitos outros, cuja materialização não chega a acontecer e quando acontecem vêm com muitos anos de atraso”, vincou.
“Em Portugal o investimento em segurança é menos de 1% do PIB, e 92% do financiamento do sector é para salários. Não ficamos com espaço de manobra para muitas coisas importantes, como por exemplo a implementação de literacia nas escolas, para que desde cedo as crianças percebam que todos temos que aprender e seguir uma cultura de segurança. A polícia não é omnipotente. Por mais que queiramos, não fazemos milagres, não conseguimos estar em todo o lado ao mesmo tempo”, enfatizou.

Pensar o presente e o futuro da polícia
No livro de 238 páginas, composto por cerca de uma centena de artigos escritos nos mais variados órgãos de comunicação social, Bruno Pereira reflecte sobre vários domínios na segurança interna, apontando problemas sistemicamente instalados nas forças de segurança, em particular na PSP, mas usando a sua experiência de duas décadas em funções de responsabilidade, para exemplificar caminhos e vias possíveis de superação para a resolução dos mesmos.
“Aqui não encontrarão panaceias divinas que resolvam todos os problemas deste complexo poliedro, mas encontrarão ideias que ajudarão a arrumar melhor e de forma mais justa todo o sistema”, reflecte o autor, cujas declarações estamos a recuperar da primeira sessão de lançamento do livro realizada em Lisboa. Um dos exemplos, escreve, é superar as exigências de um tempo de transição geracional “profunda” numa instituição com forte tradição hierárquica, como é a PSP.

“Segurança, várias opiniões, uma causa” é título de livro

Antes e depois da apresentação do livro houve debate sobre Segurança. Frederico Rosa fez eco de realidades que diz serem muito graves, nomeadamente ao nível da segurança nas escolas. Para dar um exemplo na organização de algumas competências, contou que depois do Barreiro aderir à Associação de Municípios da Região de Setúbal, percebeu melhor as diferenças entre os municípios que pertencem à Área Metropolitana de Lisboa, e todos os outros, em que a realidade não muda mas as diferenças são significativas ao nível da organização. Mesmo assim criticou o sistema por não designar prioridades, trabalhar para o efeito imediato e não haver capacidade para implementar políticas a longo prazo. O maior exemplo foi o da vídeo-vigilância, cujos projectos mais simples demoram anos a serem aprovados. Lembrou, no entanto, que na última campanha eleitoral todos os candidatos tinham essa promessa nos seus programas e falaram disso na sua campanha eleitoral.

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