Cheias obrigam a retirar moradores e encerram escolas e serviços municipais no distrito de Santarém
Subida acelerada do caudal do Tejo e dos seus afluentes originou cheias como há muitos anos não se via, provocando evacuações e estradas cortadas por toda a Lezíria e Médio Tejo, obrigando centenas de pessoas a abandonar as suas casas e colocando vários concelhos do distrito de Santarém em estado de alerta máximo.
A região da Lezíria do Tejo vive dias de grande apreensão devido à subida acentuada dos caudais do Tejo e dos seus afluentes, provocada pela persistência do mau tempo, que está a deixar um rasto de inundações, evacuações e constrangimentos graves à vida quotidiana. Em Santarém, o cenário agravou-se nas últimas horas com a retirada preventiva de cerca de 250 pessoas das zonas ribeirinhas da Ribeira de Santarém, Caneiras e Reguengo do Alviela, numa operação coordenada pela Protecção Civil e pela autarquia, face à subida contínua do nível da água e ao risco de isolamento de habitações. A Câmara Municipal decidiu ainda encerrar as escolas e suspender diversas actividades municipais, numa tentativa de reduzir deslocações e garantir a segurança da população.
O impacto das cheias estende-se a vários concelhos do distrito. Em Salvaterra de Magos, a situação obrigou à evacuação obrigatória das zonas ribeirinhas de Escaroupim e Porto de Sabugueiro, áreas historicamente vulneráveis à subida do Tejo, onde o risco de isolamento e de inundação total levou as autoridades a agir de forma preventiva. Também em Cartaxo, Alpiarça e Abrantes foram desencadeadas evacuações preventivas em zonas ribeirinhas, com moradores retirados das suas casas e realojados temporariamente, enquanto as autarquias reforçam a vigilância e o acompanhamento permanente da evolução do caudal.
Na Chamusca, a força das águas isolou a localidade de Vale de Cavalos após o corte da Estrada Nacional 118, submersa pela inundação, criando sérias dificuldades à circulação rodoviária e à actividade económica. A situação tem sido particularmente sentida pelos trabalhadores agrícolas, que continuam a tentar assegurar as suas tarefas em campos alagados, num dia-a-dia profundamente alterado pela presença constante da água e pela incerteza quanto à evolução das cheias.
O mau tempo provocou ainda um verdadeiro caos no trânsito em Santarém, com várias vias cortadas ou condicionadas, acessos submersos e constrangimentos significativos à circulação automóvel, obrigando muitos condutores a longos desvios ou a regressar para trás. A par disso, o município decidiu encerrar instalações desportivas e suspender atividades ao ar livre, numa medida que se repete noutros concelhos, face aos riscos associados às condições meteorológicas adversas.
A situação continua a agravar-se noutros pontos da Lezíria, com imagens de localidades como a Golegã a revelarem campos, estradas e zonas habitacionais já inundadas, num cenário que evidencia a dimensão do problema e a pressão exercida sobre os sistemas de drenagem e contenção. As autoridades mantêm o distrito em alerta, apelando à população para que evite deslocações desnecessárias, não atravesse zonas inundadas e cumpra rigorosamente as indicações da Protecção Civil, numa altura em que o nível das águas continua a subir e não há ainda sinais claros de abrandamento do fenómeno.
A região enfrenta assim um dos episódios de cheias mais exigentes dos últimos anos, com consequências directas na segurança das populações, na mobilidade e na actividade económica, enquanto se aguarda que as condições meteorológicas permitam estabilizar um cenário que continua a preocupar autarcas, forças de socorro e milhares de residentes ao longo do Tejo.


