Sociedade | 12-02-2026 15:49

Dimensão de barragem na Torre Bela era desconhecida até se tornar num perigo para as populações

Dimensão de barragem na Torre Bela era desconhecida até se tornar num perigo para as populações

Presidente da Câmara de Azambuja diz que não tinha conhecimento da dimensão da barragem da Retorna na Herdade da Torre Bela. Risco de rutura levou à evacuação de localidades e intervém-se para evitar o pior. Ministra visita local mas há perguntas que continuam por responder.

Na Herdade da Torre Bela o risco de ruptura da barragem da Retorta, que terá cerca de 1,2 milhões de metros cúbicos de água, levou à evacuação das populações de duas localidades do concelho de Azambuja. Mas até este risco ser conhecido, devido às condições climatéricas adversas, a dimensão daquela massa de água não era do conhecimento da Câmara de Azambuja nem, ao que parece das entidades com responsabilidades nessa matéria.
O presidente do município, Silvino Lúcio, em declarações a O MIRANTE confirma que não tinha conhecimento da dimensão daquela barragem que visitou, na presença da Ministra do Ambiente, Graça Carvalho, na terça-feira, 10 de Fevereiro, quatro dias depois de a autarquia ter determinado a evacuação das populações da Póvoa de Manique e dos Carvalhos por risco de inundação em caso de rutura da barragem. A visita à barragem, em propriedade privada, não permitia o acompanhamento de órgãos de comunicação social.
Questionado sobre a legalidade daquela retenção de água, que foi sendo aumentada ao longo dos anos, o autarca socialista responde que essa é uma responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e do Governo. “As entidades competentes que resolvam, a mim o que me interessa é salvaguardar os bens e as pessoas. Foi o que disse à senhora ministra que me veio com essa conversa de que aquela situação era ilegal. Resolvam com os proprietários, a mim o que me interessa é salvar as pessoas”, refere ao nosso jornal.
Numa nota do Governo, publicada na página oficial na Internet, é mencionado sobre a visita da ministra que a barragem da Retorta, na Herdade da Torre Bela, está “identificada como infraestrutura crítica devido ao risco elevado de rutura”, ressalvando-se que as "as manutenções têm sido feitas" e que as estruturas "resistiram" ao pico de cheia dos últimos dias. Sobre a legalidade da mesma nada é mencionado. Também a APA ainda não se pronunciou acerca daquela barragem. O MIRANTE enviou um pedido de esclarecimentos que, até ao momento, não teve resposta.

Trabalha-se para evitar um “desastre bastante grave”

No local, confirmou o autarca de Azambuja, continuam a decorrer trabalhos “para tentar minorar o impacto” que, em caso de rutura, terá “a força de 1,2 milhões de metros cúbicos de água”. A intervenção, que está a ser acompanhada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a protecção civil municipal, os Bombeiros de Alcoentre e o proprietário, consiste na libertação de água para aliviar a pressão existente naquela estrutura. “Estamos a acompanhar ao momento aquela situação”, vincou, acrescentando que o proprietário se tem mostrado empenhado, tendo colocado máquinas no terreno para os trabalhos.
“Está a ser escoada muita água, mas tem chovido muito e prevê-se para hoje também muita água a partir das 18h00 e até às 06h00. Estamos preocupados porque se as coisas não correrem como estamos a pensar e a trabalhar para o efeito pode haver um desastre bastante grave”, afirmou. Sobre a evacuação das localidades que podem vir a ser afectadas em caso de rutura, o autarca refere que se mantém “com muita resistência”. Não faz mal chamem-me o que quiserem, não posso é perder uma vida”, disse.
As populações das duas localidades da União de Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa foram acolhidas numa zona de concentração e apoio à população criada nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Alcoentre.
Para os próximos dias, o autarca refere ainda que se temem novas inundações para o concelho de Azambuja, já muito fustigado pelas sucessivas tempestades. “As águas do Tejo já subiram novamente em Vila Nova da Rainha com as casas das pessoas a ficar novamente inundadas. Preocupam-me ainda as Virtudes, Aveiras de Baixo e Azambuja”.

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