Mau tempo castiga o Vale do Tejo com cheias, derrocadas e dezenas de ocorrências
Desalojados, estradas cortadas, casas em risco e encostas instáveis. A sucessão de depressões que atingiu o Vale do Tejo deixou um rasto de destruição em vários concelhos, com Alenquer a pedir formalmente ao Governo a inclusão no Estado de Calamidade e Vila Franca de Xira a manter operacionais no terreno perante o agravamento das cheias e derrocadas.
A intensidade e persistência das cheias no Vale do Tejo estão a colocar vários concelhos sob forte pressão, com destaque para Alenquer, que requereu oficialmente ao Governo a inclusão no lote de municípios abrangidos pela declaração do Estado de Calamidade. O concelho soma já 75 pessoas desalojadas, retiradas das suas habitações por risco iminente, depois de semanas marcadas pela passagem sucessiva das tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta.
Desde o final de Janeiro, Alenquer registou mais de 70 cortes de estradas, totais ou parciais, provocados por inundações e abatimentos de terreno, a par de dezenas de quedas de árvores, muros, sinais de trânsito e postes de iluminação e comunicações. Os danos materiais são considerados avultados e afectam tanto a mobilidade como a segurança das populações. Uma habitação desabou na localidade da Mata, deixando um morador desalojado, enquanto outras duas casas permanecem em risco. O rio de Alenquer chegou ao limite da capacidade, levando as autoridades a aconselhar a retirada preventiva de viaturas e bens das zonas mais baixas.
Também em Vila Franca de Xira, a depressão Marta provocou inundações, quedas de árvores e condicionamentos rodoviários, sobretudo em zonas urbanas mais baixas e áreas ribeirinhas historicamente vulneráveis. O Serviço Municipal de Protecção Civil mantém-se em prontidão permanente, acompanhando a evolução da situação, sem registo de vítimas, mas com apelos reiterados para que a população evite deslocações desnecessárias e não atravesse zonas inundadas. No Forte da Casa, a encosta da Rua 11 de Março voltou a ceder, obrigando a novo corte da via apenas um mês após um primeiro aluimento. Os moradores temem novas derrocadas e contestam a segurança do talude, apesar das garantias anteriores da autarquia, que optou por manter os cortes por precaução.
As cheias do Tejo galgaram ainda margens em Alhandra e Vila Franca de Xira, inundando zonas ribeirinhas e interrompendo a circulação ferroviária na Linha do Norte, num quadro que se soma a dezenas de ocorrências registadas em todo o país. O Governo prolongou o Estado de Calamidade até 15 de Fevereiro para 68 concelhos, com um pacote de apoios à reconstrução de habitações, empresas e culturas agrícolas, mas Alenquer aguarda agora o reconhecimento formal da gravidade da situação que continua a afectar o Vale do Tejo.


