Sociedade | 12-02-2026 17:22

Morreu António “Colorau”, campino maior do Ribatejo, aos 86 anos

Morreu António “Colorau”, campino maior do Ribatejo, aos 86 anos

Figura incontornável das Festas do Colete Encarnado e rosto maior da lezíria, António Maria Abreu faleceu aos 86 anos. O funeral realiza-se sexta-feira, 13 de Fevereiro, às 16h30 em Vale de Figueira.

António Maria Abreu, conhecido em todo o Ribatejo como António “Colorau”, morreu aos 86 anos, deixando um vazio no universo tauromáquico e na cultura da campinagem. Homem de palavra firme, carismático e contador de histórias da lezíria, orgulhava-se de dizer que “falava sempre verdade, mas nunca contava tudo”. Campino de corpo inteiro, nasceu na Casa Emílio Infante da Câmara, em Vale Figueira, concelho de Santarém, onde trabalhou grande parte da vida. Filho de maioral de ovelhas, deixou a escola aos nove anos para ajudar o pai. Aos 14 começou a trabalhar como cocheiro em Alpompé e cedo se fez homem entre toiros e cavalos, acompanhando a tralhoada e os campinos às festas e feiras da região.
O nome “Colorau”, que herdou da família, possivelmente de um tio de tez encarnada, tornou-se marca identitária. Ao longo de décadas construiu um percurso invejável: participou em corridas livres, gincanas de fardos e provas de condução de cabrestos, acumulando mais de 140 troféus que guardava com orgulho em casa. Defendia que não há bons campinos sem bons cavalos e nunca escondia o respeito profundo que tinha pelos animais que, dizia, lhe salvaram a vida em várias ocasiões. Recordava com humor um episódio em que, ao enjaular toiros para uma corrida, caiu do cavalo em plena poeira levantada na arena improvisada. “O cavalo fugiu para um lado, o toiro distraiu-se e eu saí a gatinhar para o outro”, contava entre gargalhadas.
Participante habitual das Festas do Colete Encarnado, onde durante mais de duas décadas foi presença certa, chegou a ser homenageado numa das edições do certame. Esteve também presente na inauguração da Ponte Marechal Carmona, testemunhando momentos marcantes da história local. Apesar do amor pela campinagem, lamentava que os filhos não tivessem herdado o mesmo gosto, confessando com ironia que “nem sabem andar a cavalo”. António “Colorau” deixa uma vida cheia de histórias, coragem e tradição. O funeral realiza-se na sexta-feira, 13 de Fevereiro, às 16h30, em Vale de Figueira. O Ribatejo despede-se de um dos seus.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias