Sociedade | 13-02-2026 21:00

Cheias cada vez mais frequentes exigem mudança na forma como se cuida dos rios

Cheias cada vez mais frequentes exigem mudança na forma como se cuida dos rios
Especialistas pedem medidas estruturais para defender linhas de água - foto arquivo O MIRANTE

Especialistas alertam que não basta reagir às inundações: é urgente agir a montante, devolvendo espaço aos rios, recuperando margens naturais e travando décadas de desordenamento do território.

Os episódios de cheias intensas que, diga-se, não são assim tão frequentes, acaba sempre por reacender o debate sobre a prevenção e a adaptação às alterações climáticas. Hidrólogos, engenheiros do ambiente e especialistas em ordenamento do território são claros: não existe uma solução única, mas um conjunto de medidas estruturais que precisam de ser aplicadas de forma consistente e a longo prazo.
Entre as soluções mais apontadas está a reflorestação das margens dos rios com vegetação ripícola autóctone. Árvores e arbustos ao longo das linhas de água funcionam como travões naturais à velocidade da água, estabilizam os solos, reduzem a erosão e aumentam a capacidade de infiltração. Outro ponto crítico é a devolução de espaço aos rios, permitindo que estes extravasem para zonas naturalmente inundáveis sem causar prejuízos graves. Durante décadas, a construção em leitos de cheia, a rectificação de cursos de água e a impermeabilização dos solos urbanos aumentaram drasticamente o risco de inundações. Especialistas defendem que é essencial rever planos directores municipais, travar novas construções em áreas de risco e, sempre que possível, relocalizar infraestruturas vulneráveis.
A gestão florestal nas bacias hidrográficas é igualmente determinante. A monocultura intensiva, a ausência de limpeza dos terrenos e a perda de mosaicos agrícolas tradicionais reduzem a capacidade do solo de reter água. Florestas diversificadas, com espécies adaptadas ao território, ajudam a regular o escoamento e a reduzir a rapidez com que a água chega aos rios. Também a renaturalização dos cursos de água surge como prioridade. A remoção de obstáculos artificiais obsoletos, como tem sido realizado pelo GEOTA no Alviela, por exemplo, a recuperação de meandros e a reabilitação de zonas húmidas permitem armazenar temporariamente grandes volumes de água, funcionando como verdadeiras “esponjas naturais” durante períodos de chuva extrema.

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