Sociedade | 13-02-2026 15:00

Risco de deslizamento agrava-se nas curvas do Castelo e motiva críticas em Coruche

Risco de deslizamento agrava-se nas curvas do Castelo e motiva críticas em Coruche
Instabilidade da encosta do Castelo obrigou o município a interditar a estrada - foto O MIRANTE

O agravamento das condições meteorológicas e a persistência de escorrências de água voltaram a colocar em evidência a instabilidade da encosta do Castelo, em Coruche, onde sucessivas quedas de terras motivaram o encerramento total das chamadas curvas do Castelo e suscitaram críticas da oposição quanto à falta de uma solução estrutural.

As sucessivas derrocadas registadas nas curvas do Castelo, em Coruche, não passaram despercebidas na última reunião de câmara, com os vereadores da oposição a alertarem para o risco crescente de deslizamento de terras e para a ausência de uma intervenção estrutural que resolva o problema de forma duradoura.
O vereador Osvaldo Ferreira, do movimento Volta Coruche/25, referiu que a encosta apresenta “sinais claros de degradação e instabilidade”, com quedas de terras frequentes para a via pública, sublinhando que, apesar da interdição da circulação, o tempo tem passado sem que seja conhecida qualquer intervenção capaz de mitigar o risco. O autarca alertou ainda para a possibilidade de um deslizamento de maior dimensão poder colocar em perigo não só quem circula na via, mas também as habitações situadas nas imediações.
Segundo Osvaldo Ferreira, as escorrências actuais atingem sobretudo a estrada, mas “nada garante que não possa haver um deslizamento mais volumoso”, lembrando ainda que as escadinhas de acesso ao Castelo encontram-se encerradas há mais de dois anos. O vereador questionou ainda a lógica da interdição inicial apenas durante o período nocturno, entre as 20h00 e as 08h00, considerando incompreensível que, até ao alargamento da medida a todo o dia, se tenha mantido em risco quem ali circulava durante o período diurno.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), explicou que o encerramento total das curvas do Castelo foi decidido a 4 de Fevereiro por precaução, face à verificação de deslizamentos de terras e à iminência de queda de um volume maior de material para a faixa de rodagem. O autarca acrescentou que situações semelhantes ocorreram também na EN114-3, junto à estação de comboios, onde as barreiras de contenção ficaram fragilizadas devido à elevada quantidade de água acumulada nos solos.
Nuno Azevedo admitiu que as condições meteorológicas persistentes têm dificultado qualquer intervenção no terreno, sublinhando que praticamente não houve períodos prolongados sem chuva desde o início do mandato. A ausência de vegetação e o excesso de água são, no seu entender, factores determinantes para a instabilidade da encosta, assegurando que o município pretende intervir assim que existam condições de segurança.
Relativamente à interdição faseada do trânsito, o presidente socialista explicou que a decisão resultou de avaliações contínuas da situação. Inicialmente, a circulação foi proibida apenas durante a noite por se considerar que o risco de deslizamento era maior nesse período e por não existirem equipas no terreno capazes de responder de imediato a uma eventual emergência. Com o agravamento da instabilidade e a movimentação de uma massa de terra significativa, foi então decidido alargar a interdição a todo o dia.
Também o vereador Francisco Gaspar, do PSD, voltou a alertar para o perigo de derrocada nas curvas do Castelo, referindo que o assunto tem sido abordado em praticamente todas as reuniões de câmara. Embora reconheça que o encerramento da via é uma medida preventiva, considera que “não é a solução”, defendendo que há meses que a autarquia é alertada para a gravidade da situação.

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