A lição de vida de Carina Monteiro que renasceu depois de um cancro no intestino
Carina Monteiro, diagnosticada com cancro do intestino grosso em fase avançada aos 46 anos, sobreviveu graças aos tratamentos médicos, mas sobretudo por nunca ter desistido de si mesma. Mudou o estilo de vida e passou a aproveitar o momento presente de uma segunda vida que lhe foi concedida. O MIRANTE conta a sua história no âmbito do Dia Mundial Contra o Cancro, que se assinalou a 4 de Fevereiro.
Começou por parecer um simples problema digestivo, mas acabou por se revelar um cancro do intestino grosso em fase avançada. Carina Monteiro recebeu o diagnóstico aos 46 anos, depois de várias semanas de mal-estar, vómitos persistentes e perda acentuada de peso, sem apresentar dores ou sintomas considerados alarmantes.
O primeiro sinal surgiu após uma viagem a Itália, em Maio de 2023, onde fez várias caminhadas em trilhos sem dores nem cansaço. Mas, quando chegou a Portugal, começou com náuseas e sensação de mal-estar, que associou a algo que tinha comido. Depois de ter passado vários dias a vomitar, foi ao hospital e o médico diagnosticou gastroenterite. Regressou a casa e, em duas semanas, perdeu dez quilos.
Considerava-se uma pessoa saudável, não fumava e não tinha dores. Continuou a dar consultas de odontopediatria no consultório no Forte da Casa até ser abordada por um paciente de apenas seis anos. “Olhou para mim e disse: ‘Tu és a mesma, mas não estás bem’. Eu respondi que estava bem, mas nunca mais me esqueci dessa história”, recorda.
O que é certo é que depois deu entrada no Hospital da Luz, onde fez vários exames (TAC, ressonâncias, colonoscopia e endoscopia) que confirmaram o diagnóstico, no final de Julho de 2023.
Segunda vida
Foi encaminhada para o IPO-Instituto Português de Oncologia, onde foi operada ao tumor, que estava localizado na parte de fora do intestino, mas que começou a crescer e agarrou-se ao estômago. Durante a operação, o estômago foi praticamente todo removido e o cirurgião ligou o intestino delgado ao final do intestino grosso (anastomose).
Dois dias depois da operação, começou a ter dificuldades respiratórias e foi internada nos cuidados intensivos, porque tinha líquido nos pulmões. Os órgãos começaram a entrar em falência e os médicos induziram-na em coma. “Na altura, os médicos disseram que era melhor não ter muita esperança, provavelmente não ia sobreviver. Mas, depois de uma semana, vi luz ao fundo do túnel e o corpo restabeleceu-se aos poucos. Acordei do coma e pensei: ‘Estou viva outra vez. Tive uma nova oportunidade para viver’”, relembra.
Mesmo com o sucesso do procedimento, Carina Monteiro ainda tinha uma massa cancerígena na cavidade abdominal, agarrada a uma artéria principal, e não operável, tendo em conta o risco de morrer no bloco operatório. Conseguiu beneficiar de imunoterapia, autorizada pelo Infarmed, uma vez que cumpria os critérios. Na altura pesava 38 quilos e era a única forma de se tratar.
Terapias não convencionais e pensamento positivo foram essenciais na cura
Em Dezembro de 2025 recebeu a notícia pela qual esperava: já não tinha cancro, fruto de dois anos de imunoterapia. “Foi um processo muito difícil. Quando saí do hospital não conseguia sequer tomar banho sozinha. Estava dependente quase a 100%, mas abri-me a receber ajuda, porque eu sempre pensei que conseguia ultrapassar a doença”, conta.
As terapias não convencionais deram uma grande ajuda na recuperação, 50%, como diz. Continua a fazer acupunctura, é adepta da medicina ayurvédica, faz ozonoterapia, massagens e reiki e está a tirar um curso de Feng Shui. Pratica a gratidão diária e todos os dias agradece ter tido cancro, porque passou a ver a vida com outros olhos.
Ao final do dia sente-se mais cansada e, por isso, adormece entre as 21h30 e as 22h00, mantém uma alimentação regrada e evita stress. “A dor é inevitável, mas viver nessa dor é uma escolha. Tenho a certeza absoluta de que consegui recuperar e, segundo a medicina tradicional, não sabem como sobrevivi, porque não desisti. Porque se a mente desiste, o corpo vai a seguir”, diz.
Carina Monteiro, através da sua vivência, deixa como mensagem a quem recebeu um diagnóstico de cancro que mantenha um diálogo interior positivo, que cumpra à risca os conselhos médicos e que, se puder, complemente a medicina com terapias não convencionais. À beira de fazer 49 anos, defende que devemos fazer o que gostamos hoje e não guardar para um dia, sob pena de nunca vir a acontecer.


