Sociedade | 14-02-2026 15:00

A lição de vida de Carina Monteiro que renasceu depois de um cancro no intestino

A lição de vida de Carina Monteiro que renasceu depois de um cancro no intestino
Carina Monteiro lutou contra um cancro grave no intestino e vive uma segunda vida com mais calma - foto O MIRANTE

Carina Monteiro, diagnosticada com cancro do intestino grosso em fase avançada aos 46 anos, sobreviveu graças aos tratamentos médicos, mas sobretudo por nunca ter desistido de si mesma. Mudou o estilo de vida e passou a aproveitar o momento presente de uma segunda vida que lhe foi concedida. O MIRANTE conta a sua história no âmbito do Dia Mundial Contra o Cancro, que se assinalou a 4 de Fevereiro.

Começou por parecer um simples problema digestivo, mas acabou por se revelar um cancro do intestino grosso em fase avançada. Carina Monteiro recebeu o diagnóstico aos 46 anos, depois de várias semanas de mal-estar, vómitos persistentes e perda acentuada de peso, sem apresentar dores ou sintomas considerados alarmantes.
O primeiro sinal surgiu após uma viagem a Itália, em Maio de 2023, onde fez várias caminhadas em trilhos sem dores nem cansaço. Mas, quando chegou a Portugal, começou com náuseas e sensação de mal-estar, que associou a algo que tinha comido. Depois de ter passado vários dias a vomitar, foi ao hospital e o médico diagnosticou gastroenterite. Regressou a casa e, em duas semanas, perdeu dez quilos.
Considerava-se uma pessoa saudável, não fumava e não tinha dores. Continuou a dar consultas de odontopediatria no consultório no Forte da Casa até ser abordada por um paciente de apenas seis anos. “Olhou para mim e disse: ‘Tu és a mesma, mas não estás bem’. Eu respondi que estava bem, mas nunca mais me esqueci dessa história”, recorda.
O que é certo é que depois deu entrada no Hospital da Luz, onde fez vários exames (TAC, ressonâncias, colonoscopia e endoscopia) que confirmaram o diagnóstico, no final de Julho de 2023.

Segunda vida
Foi encaminhada para o IPO-Instituto Português de Oncologia, onde foi operada ao tumor, que estava localizado na parte de fora do intestino, mas que começou a crescer e agarrou-se ao estômago. Durante a operação, o estômago foi praticamente todo removido e o cirurgião ligou o intestino delgado ao final do intestino grosso (anastomose).
Dois dias depois da operação, começou a ter dificuldades respiratórias e foi internada nos cuidados intensivos, porque tinha líquido nos pulmões. Os órgãos começaram a entrar em falência e os médicos induziram-na em coma. “Na altura, os médicos disseram que era melhor não ter muita esperança, provavelmente não ia sobreviver. Mas, depois de uma semana, vi luz ao fundo do túnel e o corpo restabeleceu-se aos poucos. Acordei do coma e pensei: ‘Estou viva outra vez. Tive uma nova oportunidade para viver’”, relembra.
Mesmo com o sucesso do procedimento, Carina Monteiro ainda tinha uma massa cancerígena na cavidade abdominal, agarrada a uma artéria principal, e não operável, tendo em conta o risco de morrer no bloco operatório. Conseguiu beneficiar de imunoterapia, autorizada pelo Infarmed, uma vez que cumpria os critérios. Na altura pesava 38 quilos e era a única forma de se tratar.

Terapias não convencionais e pensamento positivo foram essenciais na cura
Em Dezembro de 2025 recebeu a notícia pela qual esperava: já não tinha cancro, fruto de dois anos de imunoterapia. “Foi um processo muito difícil. Quando saí do hospital não conseguia sequer tomar banho sozinha. Estava dependente quase a 100%, mas abri-me a receber ajuda, porque eu sempre pensei que conseguia ultrapassar a doença”, conta.
As terapias não convencionais deram uma grande ajuda na recuperação, 50%, como diz. Continua a fazer acupunctura, é adepta da medicina ayurvédica, faz ozonoterapia, massagens e reiki e está a tirar um curso de Feng Shui. Pratica a gratidão diária e todos os dias agradece ter tido cancro, porque passou a ver a vida com outros olhos.
Ao final do dia sente-se mais cansada e, por isso, adormece entre as 21h30 e as 22h00, mantém uma alimentação regrada e evita stress. “A dor é inevitável, mas viver nessa dor é uma escolha. Tenho a certeza absoluta de que consegui recuperar e, segundo a medicina tradicional, não sabem como sobrevivi, porque não desisti. Porque se a mente desiste, o corpo vai a seguir”, diz.
Carina Monteiro, através da sua vivência, deixa como mensagem a quem recebeu um diagnóstico de cancro que mantenha um diálogo interior positivo, que cumpra à risca os conselhos médicos e que, se puder, complemente a medicina com terapias não convencionais. À beira de fazer 49 anos, defende que devemos fazer o que gostamos hoje e não guardar para um dia, sob pena de nunca vir a acontecer.

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