Doença Coronária: Mortalidade não baixa há uma década em pessoas com menos de 75 anos
Taxa de mortalidade não se alterou nos grupos mais jovens, sinalizando falta de intervenção precoce, alerta a Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Cardiologistas da região tem vindo a defender disponibilização de mais meios e maior operacionalidade. Este sábado, 14 de Fevereiro, assinala-se o Dia Nacional do Doente Coronário.
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) alerta que apesar dos progressos na luta contra as doenças cardiovasculares, a mortalidade por doença coronária estagnou na última década para os portugueses com menos de 75 anos. O aviso é enquadrado na campanha de sensibilização “Corações Acesos”, que este ano dedica especial atenção ao doente coronário.
Dados do relatório "10 Anos de Doença Cérebro Cardiovascular em Portugal" da DGS mostram que, enquanto a taxa de mortalidade geral por doença coronária diminuiu, esta não se alterou nos grupos mais jovens, sinalizando uma falha crítica na prevenção precoce.
“Estes números são um claro sinal de alerta. Estamos a ser bem-sucedidos no tratamento e na resposta ao evento agudo, mas estamos a falhar na prevenção junto da população em idade ativa”, declara Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. “Com o apoio da campanha Corações Acesos, queremos usar esta data para chamar a atenção para esta realidade e mobilizar a sociedade para uma cultura de prevenção cardiovascular mais robusta”, diz a propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala a 14 de Fevereiro.
Apesar de uma redução de 20,7% nos internamentos por enfarte agudo do miocárdio (EAM) entre 2017 e 2023, os dados revelam que os doentes internados apresentam uma elevada carga de comorbilidades, nomeadamente hipertensão (52,2%) e diabetes (25,9%).
Face a este cenário, a SPC defende que a sensibilização deve ser acompanhada por políticas de saúde concretas, como a comparticipação de medicamentos para a obesidade em doentes com doença cardiovascular mesmo sem diabetes e a implementação de um rastreio de risco cardiovascular.
“Tratar a obesidade não é uma questão estética; é uma questão metabólica com consequências graves. A comparticipação destes medicamentos é um investimento que reduzirá a despesa futura com as complicações da doença cardiovascular. Por outro lado, rastrear o risco cardiovascular é uma medida que poderá ajudar a salvar muitas vidas e a dar mais qualidade de vida à população.”, reforça Cristina Gavina.
A SPC defende, por isso, que a prioridade estratégica para a próxima década deve focar-se na integração de cuidados, no reforço da prevenção em idade ativa e na melhoria contínua dos tratamentos, baseada em dados nacionais auditados.
Cardiologistas da região têm defendido mais meios
Jorge Guardado, médico cardiologista com clínica em Riachos, a Ucardio, especializada em doenças cardiovasculares, tem vindo a alertar que tendo em conta que as doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte em Portugal deveria apostar-se numa maior operacionalidade no transporte inter-hospitalar para que os doentes não morram pelo caminho.
A doença coronária é uma das principais causas de paragem cardíaca súbita. Quando esta ocorre, tal como explicou em entrevista a O MIRANTE Vítor Martins, médico cardiologista na Clínica do Coração, em Santarém, sobam três a quatro minutos para restaurar o ritmo cardíaco. “Ao fim desse tempo não vale a pena, a pessoa morreu. Há muito pouco tempo para regredir. Por exemplo: se uma pessoa que cai inanimada na rua e se as pessoas tiverem conhecimento para tal, e se houver por perto um desfibrilhador automático externo, pode salvar-se aquela vida. Sozinho, o aparelho faz o diagnóstico e só dá o choque se perceber que é necessário”, disse, defendendo a disponibilização destes aparelhos as áreas públicas onde é habitual haver concentração de pessoas.


