Multas em tempo de calamidade geram indignação entre moradores de Alpiarça
Num concelho a braços com cheias, estradas submersas e uma situação de catástrofe declarada, um episódio ocorrido em Alpiarça está a provocar revolta. Um morador denuncia ter sido multado numa rua, com cancelas abertas e sem sinalização eficaz, questionando as prioridades da actuação policial num momento em que a população espera apoio e orientação.
Num concelho fustigado pelas cheias e com a situação de catástrofe declarada, um morador de Alpiarça denunciou nas redes sociais aquilo que considera ser uma actuação desajustada e sem sensibilidade por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR), numa rua cortada ao trânsito, mas sem sinalização eficaz nem presença de agentes no local do corte. Segundo o relato, a via encontrava-se com cancelas abertas e sem qualquer aviso visível que alertasse para a interdição. Apenas a meio da rua estavam posicionados militares da GNR, numa abordagem que o morador descreve como mais vocacionada para surpreender condutores do que para garantir a segurança ou prestar esclarecimentos à população.
O cidadão explica que regressava a casa, na Rua Jacinto Mártires Falcão, vindo da zona industrial, sem se ter apercebido do corte precisamente pela ausência de sinalização clara. Garante ainda que circulava a cerca de 5 km/hora, com o cuidado de não provocar ondulação que pudesse agravar os danos já causados pelas cheias nas habitações vizinhas. Ainda assim, a resposta foi “inflexível”, resultando na aplicação imediata de uma multa. A indicação para “dar a volta” é vista como pouco razoável por quem apenas tentava regressar ao seu domicílio, num momento difícil para muitas famílias do concelho, refere o morador. A contra-ordenação, adianta, seguirá para contestação judicial, por entender que em circunstâncias excepcionais deveria prevalecer o bom senso, a pedagogia e o apoio às populações.
O episódio ganha maior relevo quando, momentos depois, outro morador circulou pela mesma via, só não sendo multado porque os agentes já tinham abandonado o local, o que reforça a percepção de desigualdade de critérios e alimenta a sensação de que o objectivo não era prevenir, mas penalizar. Reconhecendo o papel essencial das forças de segurança, o morador sublinha que, em situações limite como a que Alpiarça e outros concelhos atravessam, a população espera proximidade, orientação e apoio e não uma actuação que muitos consideram desligada da realidade no terreno.
O MIRANTE tentou contactar o responsável pelo gabinete de relações públicas do Comando Distrital de Santarém da GNR, mas não obteve qualquer resposta.


