Sociedade | 14-02-2026 21:00

Multas em tempo de calamidade geram indignação entre moradores de Alpiarça

Multas em tempo de calamidade geram indignação entre moradores de Alpiarça
Morador diz ter sido surpreendido pela GNR na Rua Jacinto Mártires Falcão - foto O MIRANTE

Num concelho a braços com cheias, estradas submersas e uma situação de catástrofe declarada, um episódio ocorrido em Alpiarça está a provocar revolta. Um morador denuncia ter sido multado numa rua, com cancelas abertas e sem sinalização eficaz, questionando as prioridades da actuação policial num momento em que a população espera apoio e orientação.

Num concelho fustigado pelas cheias e com a situação de catástrofe declarada, um morador de Alpiarça denunciou nas redes sociais aquilo que considera ser uma actuação desajustada e sem sensibilidade por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR), numa rua cortada ao trânsito, mas sem sinalização eficaz nem presença de agentes no local do corte. Segundo o relato, a via encontrava-se com cancelas abertas e sem qualquer aviso visível que alertasse para a interdição. Apenas a meio da rua estavam posicionados militares da GNR, numa abordagem que o morador descreve como mais vocacionada para surpreender condutores do que para garantir a segurança ou prestar esclarecimentos à população.
O cidadão explica que regressava a casa, na Rua Jacinto Mártires Falcão, vindo da zona industrial, sem se ter apercebido do corte precisamente pela ausência de sinalização clara. Garante ainda que circulava a cerca de 5 km/hora, com o cuidado de não provocar ondulação que pudesse agravar os danos já causados pelas cheias nas habitações vizinhas. Ainda assim, a resposta foi “inflexível”, resultando na aplicação imediata de uma multa. A indicação para “dar a volta” é vista como pouco razoável por quem apenas tentava regressar ao seu domicílio, num momento difícil para muitas famílias do concelho, refere o morador. A contra-ordenação, adianta, seguirá para contestação judicial, por entender que em circunstâncias excepcionais deveria prevalecer o bom senso, a pedagogia e o apoio às populações.
O episódio ganha maior relevo quando, momentos depois, outro morador circulou pela mesma via, só não sendo multado porque os agentes já tinham abandonado o local, o que reforça a percepção de desigualdade de critérios e alimenta a sensação de que o objectivo não era prevenir, mas penalizar. Reconhecendo o papel essencial das forças de segurança, o morador sublinha que, em situações limite como a que Alpiarça e outros concelhos atravessam, a população espera proximidade, orientação e apoio e não uma actuação que muitos consideram desligada da realidade no terreno.
O MIRANTE tentou contactar o responsável pelo gabinete de relações públicas do Comando Distrital de Santarém da GNR, mas não obteve qualquer resposta.

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