Sociedade | 15-02-2026 21:00

Moradores de Perais denunciam acessos intransitáveis e alertam para riscos no socorro

Moradores de Perais denunciam acessos intransitáveis e alertam para riscos no socorro
Estrada em mau estado, na freguesia do Couço, agrava isolamento de quem dela depende para viver e trabalhar - foto DR

O isolamento começa à entrada da estrada: buracos, crateras e um piso degradado transformaram o acesso ao lugar dos Perais, na freguesia do Couço, num percurso difícil, denunciado por moradores que se sentem esquecidos e sem resposta por parte da autarquia.

O mau estado da estrada de acesso à zona de Perais, na freguesia do Couço, está a ser uma dor de cabeça para os moradores e proprietários de terrenos naquela localização, perto do limite do distrito de Santarém com o de Évora. Consideram que a situação se arrasta há vários anos sem uma intervenção eficaz por parte da Câmara de Coruche que, nas últimas semanas, já reuniu para encontrar uma solução.
António Joaquim Nunes, natural de Mora, explica que o pai vive em Brotas e a sua família possui propriedades agrícolas nos Perais, sendo aquela via o único acesso disponível. “Para percorrer cerca de três quilómetros com um carro ligeiro demora-se mais do que ir de Mora a Coruche”, refere, sublinhando que há pessoas a residir permanentemente na zona e outras que ali mantêm rebanhos de ovelhas, obrigadas a deslocações diárias.
Têm enviado sucessivos e-mails à autarquia desde Setembro de 2025, sem que tenham sido realizadas obras de reparação. A única resposta visível, diz, foi a colocação de um sinal de trânsito a alertar para “pavimento em mau estado”. “Em vez de resolverem o problema, limitaram-se a sinalizar o perigo”, critica.
Entre as consequências já sentidas está a recusa de um taxista em efectuar o serviço, alegando o mau estado do pavimento. António Nunes alerta que a situação é ainda mais preocupante em caso de emergência. “Se for uma ambulância para prestar socorro a alguém, o problema é exactamente o mesmo. O acesso de veículos de urgência está comprometido”, afirma.
Numa das mensagens enviadas à câmara municipal, lamenta o que considera ser um agravamento do isolamento da zona, referindo que a estrada é essencial para a manutenção das propriedades, realização de trabalhos agrícolas e tratamento dos rebanhos. “Autarcas eleitos pelo povo e do povo se esquecem”, escreve, apelando a melhores condições de acesso para aquela que descreve como “um apêndice do concelho que precisa urgentemente de ajuda”.
Queixas semelhantes são apresentadas por António Pinto, primo de António Nunes e utilizador da via que faz ligação com a Nacional 2. Segundo refere, o terreno de base argilosa e a ausência de uma reparação estrutural ao longo de mais de 40 anos contribuíram para a degradação progressiva da estrada. “Já não é uma estrada com buracos, é uma estrada com crateras”, afirma.
De acordo com este leitor, apesar da redução da população residente, continuam a circular diariamente entre 30 a 40 veículos, na maioria viaturas ligeiras, que sofrem danos frequentes ao nível de pneus, amortecedores e suspensões. E reforça que o sinal de perigo colocado recentemente em nada altera a realidade no terreno. António Pinto considera a situação “profundamente lamentável” e apela ao empenho do executivo municipal para que a Estrada dos Perais volte a ter condições condignas, lembrando que, apesar de distante e esquecida, aquela zona “continua a pertencer ao concelho de Coruche”.
A Câmara de Coruche, à semelhança do que sucede noutros pontos do concelho e como referiu a O MIRANTE o presidente, Nuno Azevedo, tem conhecimento de alguns dos problemas identificados nas estradas do concelho, inclusive na freguesia do Couço. Os mesmos serão solucionados quando as condições meteorológicas forem favoráveis à intervenção com máquinas da junta de freguesia e do município, o que não tem sido possível dadas as sucessivas semanas de chuva que têm deixado os terrenos alagados.

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