Sociedade | 15-02-2026 18:00

Tiago Rebelo: o percurso de um sargento da GNR que gosta de liderar no terreno

Tiago Rebelo: o percurso de um sargento da GNR que gosta de liderar no terreno
Tiago Rebelo, comandante do Posto Territorial de Santa Cruz - foto O MIRANTE

No Dia Nacional do Sargento, assinalado a 31 de Janeiro, O MIRANTE esteve à conversa com Tiago Rebelo, comandante do Posto Territorial de Santa Cruz. Aos 36 anos, o sargento fala de vocação, sacrifício pessoal e do papel decisivo da Guarda Nacional Republicana na segurança pública.

Tiago Rebelo tem 36 anos, é natural de Vila Franca de Xira e integra a Guarda Nacional Republicana há cerca de 12 anos. Antes disso, serviu no Exército Português, no Centro de Tropas de Operações Especiais, uma experiência que diz ter marcado o seu percurso e ajudou a definir o seu rumo profissional. Ingressar na GNR surgiu, diz, como “o caminho natural para continuar a servir Portugal”, destacando o facto de ser a única força de segurança com natureza militar.
Desde cedo que o objectivo era claro: tornar-se sargento. A decisão foi também influenciada pelo contacto directo com outros sargentos que o marcaram pelo exemplo, pela forma de liderar e pelo profissionalismo. “Tomei a decisão impulsionada por alguns sargentos com quem tive o privilégio de trabalhar”, confessa a O MIRANTE. Actualmente, enquanto comandante do Posto Territorial da GNR de Santa Cruz, Tiago Rebelo assume um vasto conjunto de responsabilidades. Da supervisão do serviço diário ao planeamento de escalas, coordenação de patrulhas, formação dos militares e representação institucional junto de várias entidades, o trabalho é exigente e permanente. Para o sargento, a função vai muito além de um cargo. “Ser sargento significa compromisso diário, apoiar os militares e garantir que a missão é cumprida com foco na segurança do cidadão”, sublinha.
Na hierarquia da GNR, o sargento ocupa uma posição intermédia que considera fundamental. É o elo de ligação entre os superiores e os militares no terreno, assegurando que as orientações são correctamente aplicadas e que as preocupações e dificuldades da base chegam aos níveis de decisão. Um papel muitas vezes invisível, mas determinante para o bom funcionamento da instituição. A carreira implica também sacrifícios pessoais. No caso de Tiago Rebelo, a distância entre o local de trabalho e a residência obrigou-o a abdicar da presença diária da família. “Encarei isso como parte do compromisso assumido com a instituição”, afirma, reconhecendo que o trabalho por turnos e aos fins-de-semana exige compreensão familiar e grande capacidade de adaptação.
Entre os maiores desafios da função, aponta a imprevisibilidade e o risco inerente à actividade. “O sargento tem de tomar decisões rápidas e acertadas em contextos complexos e sob pressão, garantindo sempre a segurança dos cidadãos e dos militares”, refere. Quanto ao reconhecimento social, admite que nem sempre é visível, mas manifesta-se na confiança da população e na eficácia do serviço prestado. “Quando o trabalho no terreno corre bem, isso reflecte o planeamento e o acompanhamento que existem”, afirma.
Resiliência, liderança, lealdade, disciplina, responsabilidade, disponibilidade e integridade são, para Tiago Rebelo, valores essenciais para quem exerce esta função. Reconhece também que a carreira tem evoluído, nomeadamente ao nível da formação, hoje ministrada pelo Departamento Politécnico da GNR, integrada na Unidade Politécnica Militar, correspondente ao nível 5 do Sistema Nacional de Qualificações.
Aos jovens que ponderam seguir esta carreira, deixa uma mensagem clara e sem romantismos: “É uma profissão exigente, que pressupõe responsabilidade, dedicação e sacrifício, mas é profundamente gratificante. Deve ser escolhida com verdadeira vocação e consciência da missão de proteger a população, mesmo quando isso implica colocar a própria vida em risco”, sublinha.

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